Orçamento para 2026 já tem uma pressão de 4,45 mil milhões de euros

O Orçamento do Estado para 2026 já mexe. Já há reuniões marcadas, a partir de 3 de setembro, entre o Governo e os partidos com assento parlamentar (e os deputados únicos) para apresentar as principais opções para o documento que tem de entrar no Parlamento até 10 de outubro. E, como é de lei, o Governo fez chegar à Comissão de Orçamento e Finanças o quadro de políticas invariantes que tem as medidas já autorizadas com impacto em 2026 quer do lado da receita, quer do lado da despesa. E o impacto estimado dos dois lados representa uma redução no saldo orçamental de 4.449 milhões de euros (700 milhões do lado da receita e 5.149 milhões em mais despesas).
A estes impactos acrescerão novas medidas que o Governo proponha e o Parlamento aprove.
No quadro de políticas invariantes referente a 2026, a que o Observador teve acesso e entretanto noticiada pelo Eco, contabiliza-se já um impacto de 5.149 milhões de euros na despesa, agravada por vários gastos, em particular com a atualização das pensões. Só aqui o Governo estima um gasto adicional de 1.563 milhões de euros, sendo 897 milhões o que resulta da atualização das pensões, cuja percentagem será conhecida em novembro.
Já o impacto do reforço do Complemento Solidário para Idosos está contabilizado em 100 milhões. O Governo já tinha prometido a subida desse complemento, dizendo ter como “objetivo a equiparação ao valor da retribuição mínima mensal garantida em 2028“. No programa do Governo está escrito o compromisso de “aumentar progressivamente o valor de referência do Complemento Solidário para Idosos (CSI) até atingir o montante de 870 euros em 2029, tendo como objetivo a equiparação ao valor do salário mínimo nacional na legislatura seguinte”.
Há também um forte impacto — de 1.248 milhões de euros — nas despesas com pessoal: 512 milhões decorrentes do aumento referente ao acordo de rendimentos; 357 milhões com progressões e promoções; 116 milhões com aumento do salário mínimo; e 262 milhões resultados dos acordos salariais.
Segue-se com maior impacto o valor de transferências para o Orçamento da União Europeia — 624 milhões; e os juros da dívida pública — 563 milhões.
O Governo indica, por outro lado, um esforço orçamental adicional para 2026 de 200 milhões de euros com equipamento militar, indicando que tal “reflete o aumento expectável respeitante a entregas de equipamento militar, tendo em conta o objetivo de 2% do PIB em investimento em defesa nacional já alcançado em 2025″.
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No lado da receita é já estimado um impacto de 111 milhões de euros (como o Eco escreveu e que o Governo não divulgou quando questionado pelo Observador) com a redução adicional das taxas de IRS, ou seja, esse é o valor que o Governo estima que receberá a menos pelo corte dessas taxas, já estando assim prevista a redução acordada com o Chega no Parlamento. Segundo o Governo, os 111 milhões refletem “a perda de receita por via da redução das retenções da fonte em 2026, dada a redução adicional das taxas gerais acordada no Parlamento e a constar no OE 2026”.
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Ao qual acrescem 325 milhões de euros que entrarão a menos nos cofres públicos com as atualizações das deduções específicas, escalões e mínimo de existência. E 300 milhões em resultado da redução da taxa de IRC em um ponto percentual (inscrito no OE 2025, mas que terá impacto na liquidação do imposto em 2026).
Estas três componentes dão um contributo negativo no recebimento da receita, que, no entanto, é compensada pelo fim da isenção dos biocombustíveis (100 milhões). O Governo inscreve um impacto positivo (ou seja até de maior receita) com o IRS Jovem que, em 2025, até foi alargado. Segundo explica, “essa reversão reflete o aumento de receita dado o fim do alargamento do programa IRS Jovem decidido no OE 2024, que foi substituído por uma nova versão no OE 2025”.
Conforme o Jornal de Negócios noticiou a despesa fiscal em 2024 com este imposto para os jovens ficou 40% abaixo do inscrito no Orçamento do Estado para esse ano. O Governo estima ainda maior receita no IRS pelo aumento dos salários e pensões (609 milhões) bem como das contribuições sociais (477 milhões) com esses aumentos.
No conjunto, entre mais receitas nuns casos e menos noutros as medidas deste lado representarão uma poupança orçamental de 700 milhões. O que permite diminuir nesse valor o impacto do saldo com o agravamento de 5.146 milhões nas despesas.

O quadro é entregue todos os anos antes da apresentação da proposta do Orçamento do Estado e revela o impacto esperado das medidas adotadas anteriormente e que passam para o orçamento seguinte.