VAR do Sporting – Arouca com nota negativa

O VAR do Sporting – Arouca teve nota negativa. O Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) divulgou as apreciações às equipas de arbitragem dos jogos da segunda jornada da I Liga.

Manuel Mota foi o vídeo-árbitro da partida e José Pereira o AVAR.

Veja as notas:

AVS SAD-Casa Pia
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Satisfatório

Tondela-Famalicão
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Satisfatório

Vitória-Estoril

Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Muito satisfatório

Estrela-Benfica
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Satisfatório

Rio Ave-Nacional
Arbitragem – Muito satisfatório
Vídeoarbitragem – Satisfatório

Alverca-Sp. Braga
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Muito satisfatório

Santa Clara-Moreirense
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Satisfatório

Sporting-Arouca
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Insatisfatório

Gil Vicente-FC Porto
Arbitragem – Satisfatório
Vídeoarbitragem – Satisfatório

Ucrânia passa a permitir saída do país de homens até 22 anos (mas tem plano na manga)

No início da guerra, Kiev proibiu os homens entre os 18 e os 60 anos de sair do país. Agora, flexibiliza as regras na esperança de que os mais jovens regressem após algum tempo no estrangeiro. “Ninguém vai voltar”, dizem críticos. A Ucrânia relaxou as regras para viagens ao estrangeiro de homens jovens em idade de serviço militar. Desde quinta-feira que os homens com até 22 anos podem atravessar as fronteiras sem adversidades. A nova regra tinha sido prometida pelo presidente Volodymyr Zelenskyy no início de agosto. A intenção, segundo a primeira-ministra Yulia Svyrydenko, é que esses jovens “mantenham o

Entidades Reguladoras da Comunicação Social preocupadas com expulsão da Lusa e RTP da Guiné-Bissau

Os membros da Plataforma de Entidades Reguladoras da Comunicação Social dos Países e Territórios de Língua Portuguesa (PER) acompanham com “elevada preocupação” a expulsão da Lusa e da RTP da Guiné-Bissau, apelando para a reversão da situação.

Num comunicado, os membros da PER disseram que “acompanham com elevada preocupação os recentes acontecimentos relativos ao encerramento e expulsão das delegações da RTP África, RDP África e da Agência Lusa na Guiné-Bissau”.

Segundo o comunicado da PER, “os subscritores entendem que tais acontecimentos constituem constrangimentos graves ao exercício da liberdade de imprensa, ao trabalho dos jornalistas, ao direito do público à informação e ao pluralismo informativo, pilares fundamentais de um Estado de Direito”.

A PER disse que a sua atuação “tem acentuado ao longo da sua atividade que o pluralismo dos media, dependente do exercício da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, é o principal garante da diversidade de perspetivas e da representação das várias sensibilidades políticas, sociais e culturais de uma comunidade”.

Os membros da plataforma apelaram ainda aos governos de Portugal e da Guiné-Bissau para que “desenvolvam todos os esforços ao seu alcance com vista ao restabelecimento das condições necessárias para que as delegações da RTP África, RDP África e agência Lusa regressem ao pleno exercício da atividade jornalística na Guiné-Bissau”.

Expressam ainda, perante os governos, “a sua disponibilidade para participar numa solução que permita a normalização da atividade jornalística” e reiteram “o seu empenho na promoção de um ambiente mediático livre, seguro e plural nos países de Língua Portuguesa”.

O comunicado é subscrito pela Autoridade Reguladora para a Comunicação Social de Cabo Verde, pelo Conselho de Imprensa de Timor-Leste, pelo Conselho Nacional de Comunicação Social da Guiné-Bissau, pelo Conselho Superior de Imprensa de São Tomé e Príncipe e pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social de Portugal.

As delegações da Lusa, da RTP e da RDP foram expulsas da Guiné-Bissau em 15 de agosto, tendo as emissões sido suspensas, por decisão do Governo guineense.

Fotos de Georgia Meloni, Chiara Ferragni e Paola Cortellesi publicadas em fórum pornográfico. Site fechado após denúncias

No fórum italiano Phica, fotografias de mulheres roubadas das redes sociais de celebridades e políticas eram manipuladas e compartilhadas sem o seu consentimento, acompanhadas de comentários dos próprios utilizadores. Esta semana, depois de várias críticas e denúncias de mulheres cujas imagens tinham sido expostas, o site acabou por encerrar. Entre as vítimas está a primeira-ministra, Georgia Meloni, que disse estar “enojada” e pediu consequências “sem concessões”.

O Phica — nome semelhante a um termo coloquial para vagina em italiano — tinha sido criado em 2005 e, de acordo com o semanário L’Espresso, contava com mais de 720 mil inscritos. As mulheres eram catalogadas de acordo com a região de proveniência e, segundo o The Guardian, uma “secção VIP” era reservada para pessoas com maior estatuto, onde se incluía Meloni, a líder do Partido Democrático e da oposição, Elly Schlein, a influencer Chiara Ferragni e a atriz e realizadora do filme Ainda temos o amanhã, Paola Cortellesi.

[Meses depois de confessar o crime, o assassino de Sartawi é finalmente julgado. Mas, numa reviravolta, o terrorista do quarto 507 garante que é inocente. Como vai tudo acabar? “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Ouça no site do Observador o sexto e último episódio deste Podcast Plus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto episódio aqui]

O caso tinha sido exposto primeiro por Mary Galati, de Cinisi, região de Palermo, que publicou a sua história esta terça-feira na rede social X. Segundo ela, o primeiro aviso veio em maio de 2023, quando uma amiga da sua terra lhe tinha dito que as suas fotos tinham sido encontradas no Phica.

Todas as minhas fotos do Instagram estavam nesse site. Um tipo vendia informações minhas, como o meu nome, apelido e país, além do meu local de trabalho. Esse tipo apresentava-me como a sua ex-‘amiga com benefícios’”, denunciou, acrescentando ter recebido mais de “400 comentários porcos” nas suas fotos.

Numa entrevista dada à revista L’Espresso, Galati contou que, depois de investigar mais fundo e de ler o fórum, “viu tudo”. “Homens que partilham imagens das suas esposas ou sogras para ridicularizá-las ou humilhá-las. Existem várias subcategorias, algumas divididas por regiões, outras por partes do corpo ou por faixas etárias, que vão desde meninas até mulheres de oitenta anos. É um arquivo sem fim, construído dia após dia há quase vinte anos”, disse, contando que fez queixa por duas vezes às autoridades mas que “as respostas eram sempre as mesmas”.

“‘Vamos ver o que podemos fazer’. Depois, silêncio”, sublinhou Mary Galati que criou, logo em 2023, uma petição na página Change.org, que defendia o encerramento do site. Depois da publicação no X e subsequentes críticas públicas, o número de assinaturas explodiu de 30 mil para mais de 170 mil à data da última consulta.

Após esta primeira denúncia de Galati, o caso tomou uma maior proporção esta quarta-feira depois da vereadora do Partido Democrático italiano da cidade de Latina, Valeria Campagna, ter exposto nas redes sociais que fotos suas tinham sido publicadas naquele espaço sem o seu consentimento, contou o Corriere della Sera.

“Não foram apenas imagens em trajes de banho, mas momentos da minha vida pública e privada”, escreveu no Instagram, acrescentando que as imagens eram acompanhadas de “comentários sexistas, vulgares, violentos”. “Hoje estou revoltada, zangada, desiludida. Mas não posso ficar calada. Porque esta história não diz respeito apenas a mim“, sublinhou.

Já a eurodeputada Alessandra Moretti disse esta quinta-feira ao Corriere della Sera que os utilizadores do fórum “roubavam” há vários anos “fotos e vídeos de programas de televisão” em que tinha participado. “Depois alteram-nos e divulgam-nos a milhares de utilizadores”, acrescentou. “Este tipo de site, que incita à violação e à violência, deve ser encerrado e banido“, acrescentou.

Por seu tunro, Alessia Morani, antiga deputada do mesmo partido que também teve imagens suas publicadas, anunciou que iria “denunciar” a página. “Os comentários são francamente inaceitáveis e obscenos e ferem a minha dignidade como mulher. Infelizmente, não sou a única e todas nós devemos denunciar esses grupos de homens que continuam a agir em grupo e impunemente, apesar das muitas denúncias”, escreveu no Instagram.

Presidente moçambicano quer Maputo como exemplo da descentralização e democracia

O Presidente de Moçambique disse esta sexta-feira que a capital moçambicana deve ser o “melhor exemplo e espelho” da descentralização governativa e consolidação da democracia no país, apelando à inclusão da sociedade civil nos processos.

“A cidade de Maputo, enquanto capital da República de Moçambique, deve continuar a ser o melhor exemplo e espelho do processo de descentralização e da consolidação da democracia em que as políticas e a sociedade civil se afirmam como agentes da paz, da reconciliação e união entre os moçambicanos”, disse Daniel Chapo durante uma visita de trabalho à cidade de Maputo, sul do país.

O chefe do Estado defendeu que a paz e a democracia são fatores determinantes no desenvolvimento e bem-estar dos moçambicanos, tendo prometido esforços para apoiar na busca de soluções para os problemas da capital moçambicana.

“Temos consciência que alguns desafios que a cidade de Maputo enfrenta — por isso têm estatuto de província —, não cabem apenas ao Conselho Municipal. Nós, como Governo central, temos a responsabilidade suprema de contribuir e trabalhar afincadamente com o nosso município para a resolução dos grandes desafios da nossa capital”, disse.

A 10 de agosto, o Presidente moçambicano garantiu que o modelo de governação descentralizada a adotar em Moçambique será “aprofundado” no âmbito do diálogo político em curso, de pacificação do país.

“O nosso país aposta num modelo de descentralização em que a administração do Estado a nível local funcione de forma eficiente e transparente, com base no diálogo permanente, na inovação institucional e na valorização dos talentos locais, com dirigentes democraticamente eleitos e focados em soluções locais para problemas locais”, afirmou então, no âmbito do Dia Africano da Descentralização e do Desenvolvimento Local.

[Meses depois de confessar o crime, o assassino de Sartawi é finalmente julgado. Mas, numa reviravolta, o terrorista do quarto 507 garante que é inocente. Como vai tudo acabar? “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Ouça no site do Observador o sexto e último episódio deste Podcast Plus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto episódio aqui]

O Governo está a rever a legislação para reduzir os poderes dos secretários de Estado nas províncias, para evitar a duplicação de funções administrativas e de gestão.

A diretora nacional de Administração Local, Cândida Maloane, referiu que o processo vai ajustar-se “no sentido de garantir que ao nível da província haja um representante de Estado” e que se evite “uma máquina administrativa pesada concorrente com os órgãos executivos”.

Em julho, a Comissão de Reflexão sobre o Modelo de Descentralização entregou ao Governo moçambicano o relatório final sobre esta matéria, que ainda não foi divulgado.

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Lusíadas Saúde investe 10 milhões de euros em hospital no concelho da Maia

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A abertura do Hospital Lusíadas Maia marca a expansão da Lusíadas Saúde na região Norte, criando empregos qualificados e reforçando cuidados de saúde.

A Lusíadas Saúde reforça a sua presença no Norte do país com a inauguração do Hospital Lusíadas Maia, marcada para 8 de setembro. A nova unidade, situada no concelho da Maia, surge como a sexta do grupo na região e deverá criar cerca de 200 postos de trabalho qualificado, representando um investimento inicial de 10 milhões de euros.

O Hospital Lusíadas Maia foi concebido desde o início para responder às necessidades de cuidados de saúde da população local e dos concelhos vizinhos. O projeto, inicialmente planeado numa escala mais reduzida, foi posteriormente alargado, aumentando a capacidade instalada e a diversidade de serviços clínicos disponíveis. A unidade, instalada no Mira Maia Shopping e com mais de 3.000 m², inclui análises clínicas, 32 gabinetes de consulta, duas salas de bloco operatório e um serviço de imagiologia completo, com tomografia computorizada, ressonância magnética, ecografias, radiografias e mamografias, além de seis salas dedicadas a exames especializados.

Entre os equipamentos de diagnóstico, destaca-se a ressonância magnética uMR670 da United Imaging, a primeira do género em Portugal, que permite estudos pré-cirúrgicos mais detalhados e precisos, reduzindo o tempo de aquisição e proporcionando maior conforto aos pacientes graças ao túnel mais largo.

O hospital disponibiliza uma oferta multidisciplinar abrangente, cobrindo cerca de 30 especialidades médicas e cirúrgicas, incluindo áreas como cardiologia, cirurgia geral e pediátrica, neurocirurgia, ortopedia, oftalmologia, ginecologia e obstetrícia, entre outras. A unidade prevê ainda, futuramente, a realização de cirurgias de ambulatório.

O Hospital Lusíadas Maia irá operar em articulação com a rede Lusíadas Saúde no Norte, incluindo unidades em Braga, Porto, Paços de Ferreira, Santa Maria da Feira e Gaia, potenciando a integração e a coordenação de cuidados clínicos na região.

Sindicato apela a retoma da revisão da carreira de vigilante da natureza

O Sindicato Nacional da Fiscalização e Apoio das Populações (SinFAP) apelou esta sexta-feira a uma retoma da revisão de carreira, que diz ser urgente, e exigiu um reforço significativo do Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza.

Em comunicado, o sindicato lembra que o país foi mais uma vez fustigado pelos incêndios florestais e que, no rescaldo destes, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, declarou a intenção de fazer a renaturalização destas zonas, e de olhar para o modelo de gestão das áreas protegidas, com mais proximidade e mais técnicos no terreno.

O SinFap considera que, se de facto é vontade do Governo reforçar a proximidade no terreno, os Vigilantes da Natureza têm de fazer parte desse processo, exigindo um reforço significativo do Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza.

“Relembramos que já passaram 26 anos desde a última revisão de carreira dos Vigilantes da Natureza”, destaca, apelando a uma retoma do processo, que foi interrompido com a queda do governo anterior.

O sindicato salienta que estes profissionais não podem esperar mais e que é urgente a revisão de carreira para que possam ter condições justas e dignas para desempenhar as funções especializadas e importantíssimas que detêm, para que toda a comunidade possa ter um futuro melhor e possa desfrutar de uma natureza verdadeiramente preservada e protegida.

Segundo dados oficiais provisórios, até esta sexta arderam cerca de 251 mil hectares no país, dos quais mais de 57 mil no incêndio com início em Arganil.

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Deputado do Chega arguido por donativos suspeitos. “Nada a ver connosco”, diz Ventura

Se for culpado, “haverá consequências” para João Tilly, admite André Ventura. O líder do Chega, André Ventura, admitiu esta sexta-feira retirar consequências do caso que envolve o deputado João Tilly, suspeito de um crime de participação na atribuição e obtenção de financiamento proibido. Ventura referiu que se trata “de uma questão relacionada com a conta de Youtube” e que aconteceu antes de Tilly ser deputado e salientou que “o Chega nada tem a ver com isto, nem sequer foi chamado nem envolvido no processo”. “É uma questão que tem uma natureza pessoal, dele próprio, e não era sequer deputado do

A vindima em Favaios tem toque indiano e ainda bem

Favaios, 25 de Agosto. Mesmo à borda da estrada, quatro trabalhadores indianos estenderam uma toalha no chão, cada um colocou a sua comida, sentaram-se de pernas cruzadas e almoçaram à sua moda, em conjunto e com as mãos. Ao lado, os trabalhadores portugueses comeram da sua marmita, em separado, uns sentados no muro da vinha, outros no chão. Quem passasse, veria ali naquele descanso de vindima duas culturas bem distintas. Eu vi o mesmo, mas o que me pareceu “diferente” e até triste foi o modo de comer dos portugueses, cada um para seu lado. O modo indiano tinha mais familiaridade: uma toalha estendida no chão com a merenda para ser partilhada era a mesa de antigamente no campo português.

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Será a corrupção o verdadeiro cão de guarda da Argentina

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.

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Na Argentina, a história de que Javier Milei pede conselhos ao seu cachorro já deixou de ser piada para virar metáfora de um país onde a política parece ter perdido o bom senso. Enquanto o presidente se apoia em delírios místicos e latidos imaginários, a economia nacional segue no caos: inflação que corrói salários, pobreza crescente e uma dívida que ninguém sabe como pagar.

Mas não é só Milei, que, na quarta-feira, 27 de agosto, foi retirado de um comício do partido dele, o La Libertad Avanza (LLA), depois de o carro em que ele circulava entre a multidão ser apedrejado por manifestantes. A corrupção é o velho cão de guarda que nunca abandona a política argentina. Décadas de governos de todos os espectros prometeram mudanças, mas o sistema de favores, clientelismo e esquemas escusos segue firme. Resultado: fuga de capitais, falta de investimento produtivo e uma sociedade cada vez mais descrente.

O governo de Javier Milei, que prometia ser a antítese da “casta política” e da corrupção associada ao kirchnerismo, enfrenta agora seu próprio terremoto ético. O vazamento de áudios do ex-titular da Agência Nacional de Deficiência, Diego Spagnuolo, expôs uma suposta rede de cobrança de propinas para a compra estatal de medicamentos.

Segundo a denúncia, Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, e Eduardo “Lule” Menem, operador político e sobrinho do ex-presidente Carlos Menem, estariam no centro do esquema, que poderia movimentar até 800 mil dólares mensais.

Não é o primeiro escândalo a abalar o discurso anticasta de Milei, nem a primeira vez que ele demora a se pronunciar. Em fevereiro, a criptomoeda $LIBRA, que o presidente havia promovido em suas redes sociais, desabou após valorizar 1.300% em horas, deixando cerca de 40 mil pessoas no prejuízo e perdas estimadas em 180 milhões de dólares. Milei se distanciou do projeto depois, mas a imagem de um governo que prometia ser diferente começou a ser corroída.

O episódio, que já levou à abertura de investigações judiciais e a operações de busca, foi inicialmente silenciado pela Casa Rosada por cinco dias. Milei, fiel ao seu estilo, rompeu o mutismo não para esclarecer os fatos, mas para acusar o kirchnerismo de uma “operação política burra” e exaltar sua irmã em ato público, pedindo aplausos da plateia.

Essa reação evidencia um traço central do populismo: a construção discursiva do conflito permanente entre “povo” e “inimigos”. Como descreveu Ernesto Laclau, o populismo opera por meio da simplificação do espaço político em uma fronteira moral entre “nós” e “eles”. No caso de Milei, os “eles” são os kirchneristas, o establishment político e qualquer ator que questione sua narrativa. Ao invés de responder às acusações de corrupção, o presidente transforma o episódio em mais um capítulo da batalha contra os inimigos internos.

O escândalo estoura em um momento delicado para o governo argentino: duas semanas antes das eleições provinciais em Buenos Aires e a menos de dois meses do pleito legislativo nacional. A crise ameaça enfraquecer Milei diante de um Congresso já hostil e pode desgastar o discurso anticorrupção que o ajudou a chegar ao poder.

O timing dos áudios, que surgem justamente às vésperas desse calendário eleitoral decisivo, acirra as suspeitas sobre o impacto político do caso e levanta dúvidas sobre até que ponto o governo conseguirá manter a narrativa de que tudo não passa de uma farsa articulada pela oposição.

Enquanto o presidente se diverte em batalhas ideológicas e provocações midiáticas e a oposição se perde em disputas internas, a população vive o dilema de como colocar comida na mesa. A inflação não late, mas morde — e morde forte.

Talvez Milei devesse trocar os conselhos do cachorro por uma lição simples da própria história argentina: sem enfrentar a corrupção estrutural, nenhum plano econômico — seja liberal, seja keynesiano ou espiritual — vai funcionar.

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