Fotos de Georgia Meloni, Chiara Ferragni e Paola Cortellesi publicadas em fórum pornográfico. Site fechado após denúncias

No fórum italiano Phica, fotografias de mulheres roubadas das redes sociais de celebridades e políticas eram manipuladas e compartilhadas sem o seu consentimento, acompanhadas de comentários dos próprios utilizadores. Esta semana, depois de várias críticas e denúncias de mulheres cujas imagens tinham sido expostas, o site acabou por encerrar. Entre as vítimas está a primeira-ministra, Georgia Meloni, que disse estar “enojada” e pediu consequências “sem concessões”.

O Phica — nome semelhante a um termo coloquial para vagina em italiano — tinha sido criado em 2005 e, de acordo com o semanário L’Espresso, contava com mais de 720 mil inscritos. As mulheres eram catalogadas de acordo com a região de proveniência e, segundo o The Guardian, uma “secção VIP” era reservada para pessoas com maior estatuto, onde se incluía Meloni, a líder do Partido Democrático e da oposição, Elly Schlein, a influencer Chiara Ferragni e a atriz e realizadora do filme Ainda temos o amanhã, Paola Cortellesi.

[Meses depois de confessar o crime, o assassino de Sartawi é finalmente julgado. Mas, numa reviravolta, o terrorista do quarto 507 garante que é inocente. Como vai tudo acabar? “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Ouça no site do Observador o sexto e último episódio deste Podcast Plus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto episódio aqui]

O caso tinha sido exposto primeiro por Mary Galati, de Cinisi, região de Palermo, que publicou a sua história esta terça-feira na rede social X. Segundo ela, o primeiro aviso veio em maio de 2023, quando uma amiga da sua terra lhe tinha dito que as suas fotos tinham sido encontradas no Phica.

Todas as minhas fotos do Instagram estavam nesse site. Um tipo vendia informações minhas, como o meu nome, apelido e país, além do meu local de trabalho. Esse tipo apresentava-me como a sua ex-‘amiga com benefícios’”, denunciou, acrescentando ter recebido mais de “400 comentários porcos” nas suas fotos.

Numa entrevista dada à revista L’Espresso, Galati contou que, depois de investigar mais fundo e de ler o fórum, “viu tudo”. “Homens que partilham imagens das suas esposas ou sogras para ridicularizá-las ou humilhá-las. Existem várias subcategorias, algumas divididas por regiões, outras por partes do corpo ou por faixas etárias, que vão desde meninas até mulheres de oitenta anos. É um arquivo sem fim, construído dia após dia há quase vinte anos”, disse, contando que fez queixa por duas vezes às autoridades mas que “as respostas eram sempre as mesmas”.

“‘Vamos ver o que podemos fazer’. Depois, silêncio”, sublinhou Mary Galati que criou, logo em 2023, uma petição na página Change.org, que defendia o encerramento do site. Depois da publicação no X e subsequentes críticas públicas, o número de assinaturas explodiu de 30 mil para mais de 170 mil à data da última consulta.

Após esta primeira denúncia de Galati, o caso tomou uma maior proporção esta quarta-feira depois da vereadora do Partido Democrático italiano da cidade de Latina, Valeria Campagna, ter exposto nas redes sociais que fotos suas tinham sido publicadas naquele espaço sem o seu consentimento, contou o Corriere della Sera.

“Não foram apenas imagens em trajes de banho, mas momentos da minha vida pública e privada”, escreveu no Instagram, acrescentando que as imagens eram acompanhadas de “comentários sexistas, vulgares, violentos”. “Hoje estou revoltada, zangada, desiludida. Mas não posso ficar calada. Porque esta história não diz respeito apenas a mim“, sublinhou.

Já a eurodeputada Alessandra Moretti disse esta quinta-feira ao Corriere della Sera que os utilizadores do fórum “roubavam” há vários anos “fotos e vídeos de programas de televisão” em que tinha participado. “Depois alteram-nos e divulgam-nos a milhares de utilizadores”, acrescentou. “Este tipo de site, que incita à violação e à violência, deve ser encerrado e banido“, acrescentou.

Por seu tunro, Alessia Morani, antiga deputada do mesmo partido que também teve imagens suas publicadas, anunciou que iria “denunciar” a página. “Os comentários são francamente inaceitáveis e obscenos e ferem a minha dignidade como mulher. Infelizmente, não sou a única e todas nós devemos denunciar esses grupos de homens que continuam a agir em grupo e impunemente, apesar das muitas denúncias”, escreveu no Instagram.

Presidente moçambicano quer Maputo como exemplo da descentralização e democracia

O Presidente de Moçambique disse esta sexta-feira que a capital moçambicana deve ser o “melhor exemplo e espelho” da descentralização governativa e consolidação da democracia no país, apelando à inclusão da sociedade civil nos processos.

“A cidade de Maputo, enquanto capital da República de Moçambique, deve continuar a ser o melhor exemplo e espelho do processo de descentralização e da consolidação da democracia em que as políticas e a sociedade civil se afirmam como agentes da paz, da reconciliação e união entre os moçambicanos”, disse Daniel Chapo durante uma visita de trabalho à cidade de Maputo, sul do país.

O chefe do Estado defendeu que a paz e a democracia são fatores determinantes no desenvolvimento e bem-estar dos moçambicanos, tendo prometido esforços para apoiar na busca de soluções para os problemas da capital moçambicana.

“Temos consciência que alguns desafios que a cidade de Maputo enfrenta — por isso têm estatuto de província —, não cabem apenas ao Conselho Municipal. Nós, como Governo central, temos a responsabilidade suprema de contribuir e trabalhar afincadamente com o nosso município para a resolução dos grandes desafios da nossa capital”, disse.

A 10 de agosto, o Presidente moçambicano garantiu que o modelo de governação descentralizada a adotar em Moçambique será “aprofundado” no âmbito do diálogo político em curso, de pacificação do país.

“O nosso país aposta num modelo de descentralização em que a administração do Estado a nível local funcione de forma eficiente e transparente, com base no diálogo permanente, na inovação institucional e na valorização dos talentos locais, com dirigentes democraticamente eleitos e focados em soluções locais para problemas locais”, afirmou então, no âmbito do Dia Africano da Descentralização e do Desenvolvimento Local.

[Meses depois de confessar o crime, o assassino de Sartawi é finalmente julgado. Mas, numa reviravolta, o terrorista do quarto 507 garante que é inocente. Como vai tudo acabar? “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Ouça no site do Observador o sexto e último episódio deste Podcast Plus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui e o quinto episódio aqui]

O Governo está a rever a legislação para reduzir os poderes dos secretários de Estado nas províncias, para evitar a duplicação de funções administrativas e de gestão.

A diretora nacional de Administração Local, Cândida Maloane, referiu que o processo vai ajustar-se “no sentido de garantir que ao nível da província haja um representante de Estado” e que se evite “uma máquina administrativa pesada concorrente com os órgãos executivos”.

Em julho, a Comissão de Reflexão sobre o Modelo de Descentralização entregou ao Governo moçambicano o relatório final sobre esta matéria, que ainda não foi divulgado.

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Lusíadas Saúde investe 10 milhões de euros em hospital no concelho da Maia

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A abertura do Hospital Lusíadas Maia marca a expansão da Lusíadas Saúde na região Norte, criando empregos qualificados e reforçando cuidados de saúde.

A Lusíadas Saúde reforça a sua presença no Norte do país com a inauguração do Hospital Lusíadas Maia, marcada para 8 de setembro. A nova unidade, situada no concelho da Maia, surge como a sexta do grupo na região e deverá criar cerca de 200 postos de trabalho qualificado, representando um investimento inicial de 10 milhões de euros.

O Hospital Lusíadas Maia foi concebido desde o início para responder às necessidades de cuidados de saúde da população local e dos concelhos vizinhos. O projeto, inicialmente planeado numa escala mais reduzida, foi posteriormente alargado, aumentando a capacidade instalada e a diversidade de serviços clínicos disponíveis. A unidade, instalada no Mira Maia Shopping e com mais de 3.000 m², inclui análises clínicas, 32 gabinetes de consulta, duas salas de bloco operatório e um serviço de imagiologia completo, com tomografia computorizada, ressonância magnética, ecografias, radiografias e mamografias, além de seis salas dedicadas a exames especializados.

Entre os equipamentos de diagnóstico, destaca-se a ressonância magnética uMR670 da United Imaging, a primeira do género em Portugal, que permite estudos pré-cirúrgicos mais detalhados e precisos, reduzindo o tempo de aquisição e proporcionando maior conforto aos pacientes graças ao túnel mais largo.

O hospital disponibiliza uma oferta multidisciplinar abrangente, cobrindo cerca de 30 especialidades médicas e cirúrgicas, incluindo áreas como cardiologia, cirurgia geral e pediátrica, neurocirurgia, ortopedia, oftalmologia, ginecologia e obstetrícia, entre outras. A unidade prevê ainda, futuramente, a realização de cirurgias de ambulatório.

O Hospital Lusíadas Maia irá operar em articulação com a rede Lusíadas Saúde no Norte, incluindo unidades em Braga, Porto, Paços de Ferreira, Santa Maria da Feira e Gaia, potenciando a integração e a coordenação de cuidados clínicos na região.

Sindicato apela a retoma da revisão da carreira de vigilante da natureza

O Sindicato Nacional da Fiscalização e Apoio das Populações (SinFAP) apelou esta sexta-feira a uma retoma da revisão de carreira, que diz ser urgente, e exigiu um reforço significativo do Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza.

Em comunicado, o sindicato lembra que o país foi mais uma vez fustigado pelos incêndios florestais e que, no rescaldo destes, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, declarou a intenção de fazer a renaturalização destas zonas, e de olhar para o modelo de gestão das áreas protegidas, com mais proximidade e mais técnicos no terreno.

O SinFap considera que, se de facto é vontade do Governo reforçar a proximidade no terreno, os Vigilantes da Natureza têm de fazer parte desse processo, exigindo um reforço significativo do Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza.

“Relembramos que já passaram 26 anos desde a última revisão de carreira dos Vigilantes da Natureza”, destaca, apelando a uma retoma do processo, que foi interrompido com a queda do governo anterior.

O sindicato salienta que estes profissionais não podem esperar mais e que é urgente a revisão de carreira para que possam ter condições justas e dignas para desempenhar as funções especializadas e importantíssimas que detêm, para que toda a comunidade possa ter um futuro melhor e possa desfrutar de uma natureza verdadeiramente preservada e protegida.

Segundo dados oficiais provisórios, até esta sexta arderam cerca de 251 mil hectares no país, dos quais mais de 57 mil no incêndio com início em Arganil.

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Deputado do Chega arguido por donativos suspeitos. “Nada a ver connosco”, diz Ventura

Se for culpado, “haverá consequências” para João Tilly, admite André Ventura. O líder do Chega, André Ventura, admitiu esta sexta-feira retirar consequências do caso que envolve o deputado João Tilly, suspeito de um crime de participação na atribuição e obtenção de financiamento proibido. Ventura referiu que se trata “de uma questão relacionada com a conta de Youtube” e que aconteceu antes de Tilly ser deputado e salientou que “o Chega nada tem a ver com isto, nem sequer foi chamado nem envolvido no processo”. “É uma questão que tem uma natureza pessoal, dele próprio, e não era sequer deputado do

A vindima em Favaios tem toque indiano e ainda bem

Favaios, 25 de Agosto. Mesmo à borda da estrada, quatro trabalhadores indianos estenderam uma toalha no chão, cada um colocou a sua comida, sentaram-se de pernas cruzadas e almoçaram à sua moda, em conjunto e com as mãos. Ao lado, os trabalhadores portugueses comeram da sua marmita, em separado, uns sentados no muro da vinha, outros no chão. Quem passasse, veria ali naquele descanso de vindima duas culturas bem distintas. Eu vi o mesmo, mas o que me pareceu “diferente” e até triste foi o modo de comer dos portugueses, cada um para seu lado. O modo indiano tinha mais familiaridade: uma toalha estendida no chão com a merenda para ser partilhada era a mesa de antigamente no campo português.

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Será a corrupção o verdadeiro cão de guarda da Argentina

Os artigos da equipa do PÚBLICO Brasil são escritos na variante da língua portuguesa usada no Brasil.

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Na Argentina, a história de que Javier Milei pede conselhos ao seu cachorro já deixou de ser piada para virar metáfora de um país onde a política parece ter perdido o bom senso. Enquanto o presidente se apoia em delírios místicos e latidos imaginários, a economia nacional segue no caos: inflação que corrói salários, pobreza crescente e uma dívida que ninguém sabe como pagar.

Mas não é só Milei, que, na quarta-feira, 27 de agosto, foi retirado de um comício do partido dele, o La Libertad Avanza (LLA), depois de o carro em que ele circulava entre a multidão ser apedrejado por manifestantes. A corrupção é o velho cão de guarda que nunca abandona a política argentina. Décadas de governos de todos os espectros prometeram mudanças, mas o sistema de favores, clientelismo e esquemas escusos segue firme. Resultado: fuga de capitais, falta de investimento produtivo e uma sociedade cada vez mais descrente.

O governo de Javier Milei, que prometia ser a antítese da “casta política” e da corrupção associada ao kirchnerismo, enfrenta agora seu próprio terremoto ético. O vazamento de áudios do ex-titular da Agência Nacional de Deficiência, Diego Spagnuolo, expôs uma suposta rede de cobrança de propinas para a compra estatal de medicamentos.

Segundo a denúncia, Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, e Eduardo “Lule” Menem, operador político e sobrinho do ex-presidente Carlos Menem, estariam no centro do esquema, que poderia movimentar até 800 mil dólares mensais.

Não é o primeiro escândalo a abalar o discurso anticasta de Milei, nem a primeira vez que ele demora a se pronunciar. Em fevereiro, a criptomoeda $LIBRA, que o presidente havia promovido em suas redes sociais, desabou após valorizar 1.300% em horas, deixando cerca de 40 mil pessoas no prejuízo e perdas estimadas em 180 milhões de dólares. Milei se distanciou do projeto depois, mas a imagem de um governo que prometia ser diferente começou a ser corroída.

O episódio, que já levou à abertura de investigações judiciais e a operações de busca, foi inicialmente silenciado pela Casa Rosada por cinco dias. Milei, fiel ao seu estilo, rompeu o mutismo não para esclarecer os fatos, mas para acusar o kirchnerismo de uma “operação política burra” e exaltar sua irmã em ato público, pedindo aplausos da plateia.

Essa reação evidencia um traço central do populismo: a construção discursiva do conflito permanente entre “povo” e “inimigos”. Como descreveu Ernesto Laclau, o populismo opera por meio da simplificação do espaço político em uma fronteira moral entre “nós” e “eles”. No caso de Milei, os “eles” são os kirchneristas, o establishment político e qualquer ator que questione sua narrativa. Ao invés de responder às acusações de corrupção, o presidente transforma o episódio em mais um capítulo da batalha contra os inimigos internos.

O escândalo estoura em um momento delicado para o governo argentino: duas semanas antes das eleições provinciais em Buenos Aires e a menos de dois meses do pleito legislativo nacional. A crise ameaça enfraquecer Milei diante de um Congresso já hostil e pode desgastar o discurso anticorrupção que o ajudou a chegar ao poder.

O timing dos áudios, que surgem justamente às vésperas desse calendário eleitoral decisivo, acirra as suspeitas sobre o impacto político do caso e levanta dúvidas sobre até que ponto o governo conseguirá manter a narrativa de que tudo não passa de uma farsa articulada pela oposição.

Enquanto o presidente se diverte em batalhas ideológicas e provocações midiáticas e a oposição se perde em disputas internas, a população vive o dilema de como colocar comida na mesa. A inflação não late, mas morde — e morde forte.

Talvez Milei devesse trocar os conselhos do cachorro por uma lição simples da própria história argentina: sem enfrentar a corrupção estrutural, nenhum plano econômico — seja liberal, seja keynesiano ou espiritual — vai funcionar.

Receita fiscal do Estado sobe para 35.553,6 milhões de euros até julho

A receita fiscal do Estado totalizou 35.553,6 milhões de euros até julho, um aumento de 2.126,6 milhões de euros (6,4%) face ao período homólogo, indicou a Entidade Orçamental.

“Em julho de 2025, a receita fiscal acumulada do subsetor Estado totalizou 35.553,6 milhões de euros”, revelou a síntese de execução orçamental hoje divulgada.

Este valor representa assim um acréscimo de 2.126,6 milhões de euros ou de 6,4% em comparação com o período homólogo.

Do lado dos impostos diretos houve um crescimento de 501,4 milhões de euros (+3,2%), devido à evolução da receita líquida do IRS — Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares, que cresceu 14,4%.

Por sua vez, a receita líquida de IRC — Imposto sobre o rendimento de pessoas Coletivas baixou 670,1 milhões de euros ou 9,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Esta evolução tem em conta o aumento dos reembolsos em 172,9 milhões de euros (38,4%) e a redução dos pagamentos de autoliquidação.

Já nos impostos indiretos houve uma evolução de 1.625,2 milhões de euros (9,1%), face ao período homólogo, que foi justificada pelo desempenho da receita líquida do IVA — Imposto sobre o valor Acrescentado (1.206,8 milhões de euros).

Destaca-se também o acréscimo da receita líquida do ISP — Imposto sobre os Produtos Petrolíferos em 11,6% e do Imposto sobre o Tabaco em 18%, relativamente ao período homólogo.

Sem o efeito da prorrogação do pagamento de IVA, a receita deste impostos cresce 9,4% face a 2024.

“Assim, excluindo este efeito e o pagamento de impostos diferidos em sede de IRC, em fevereiro de 2024 (117 milhões de euros), a receita fiscal apresentou um crescimento homólogo de 6,1% (2.044,3 milhões de euros)”, precisou.

Emirates continua a ir ao pote e é João que “pica” as abelhas: Vine lidera montanha, Ayuso vence etapa e João volta a atacar

A camisola vermelha mudou de mãos pela terceira vez em três dias, com Jonas Vingegaard a recuperar o topo da classificação geral a David Gaudu depois do contrarrelógio coletivo ganho pela UAE Team Emirates com oito segundos de vantagem sobre a Visma Lease-a-Bike e depois Torstein Traeen a aproveitar o sucesso da fuga na primeira etapa a passar por Andorra para subir à liderança da geral, mas o sucesso do corredor da Bahrain acabou por passar quase ao lado perante a primeira grande sentença na Vuelta: ainda numa fase mais prematura da subida final, Juan Ayuso “afogou”, acabou a mais de sete minutos dos principais favoritos e despediu-se da luta pela vitória na prova. Daí saiu uma certeza, uma dúvida e a grande incógnita.

Um copo de Vine a celebrar a veia heróica de João: Emirates vence etapa, perde Ayuso mas acaba com português a atacar

Certeza: João Almeida é o líder da Emirates, que voltou a fazer a festa em Pal com o grande triunfo de Jay Vine após saltar dos dez corredores em fuga e aguentar a margem “cavada” sem que a resposta conseguisse beliscar a vitória. Dúvida: após a queda abrupta de Ayuso na geral, e tendo em conta que acabou a dizer que sabia como estava e que a prioridade era preparar os Mundiais, até que ponto poderia o espanhol ser uma arma jogada pela equipa para defender o chefe de fila português. Incógnita: Vingegaard, que foi na roda de Giulio Ciccone num ataque que deixou de forma momentânea Almeida “cortado”, não quis atacar, preferiu não correr riscos ou não teve forças para fazer o contra-ataque após a chegada de Matteo Jorgensen à frente para ganhar vantagem sobre o português. A etapa entre a Andorra-a-Velha e Cerler podia trazer respostas.

Numa sexta-feira 13 de há três anos, Torstein Traeen soube que tinha cancro. Três anos depois, é camisola vermelha da Vuelta

Essa circunstância de corrida do dinamarquês levantou questões, embora tivesse ficado claro que a Visma pode mostrar melhores argumentos de defesa ao seu chefe de fila do que a Emirates, mas a forma como João Almeida respondeu ao momento de adversidade mostrou bem que, mesmo não tendo a preparação ideal para esta Vuelta na sequência da fratura na costela feita depois da queda no final da primeira semana do Tour, quer marcar uma posição no pelotão. Mais: o português conseguiu o mais complicado, que era “fechar” após o ataque de Ciccone com Vingegaard a colar de imediato na sua roda, mas não quis ficar por aí, fazendo de imediato um ataque que estreitou mais o grupo antes de nova ofensiva perto da meta para tentar ainda ganhar uns segundos (que não conseguiu). Em dia de dúvidas numa Emirates em festa pelo sucesso de Jay Vine mas preocupada com a quebra abrupta de Juan Ayuso, o português afirmou-se como uma certeza.

“Aproveitei a fuga para tentar vencer a etapa. Se a fuga não vingasse, trabalharia no pelotão. Conheço bem estas estradas. Moro aqui e a subida de Comella é a minha favorita em Andorra. Decidi acelerar no topo e conheço muito bem a descida. Pensei ‘Esta é a minha oportunidade de escapar’ e fui. Recebi a chamada para esta corrida há cerca de quatro semanas, não estava no meu calendário original. Vencer em Andorra, à frente da minha mulher e do meu filho, é incrível e muito motivador”, salientou Jay Vine após o triunfo em Pal. “A camisola da montanha não era o objetivo mas fui à procura do topo na primeira subida para perceber quem estava interessado na fuga. Não sei se vou conseguir defendê-la mas vou tentar. Estamos aqui para ganhar a Vuelta e quero fazê-lo com o João [Almeida]. Ele está numa forma incrível e temos uma boa equipa para o apoiar”, assegurou ainda o australiano, falando sobre os objetivos da Emirates na Vuelta.

“Continuo a dizer o mesmo que disse desde o dia 1 da Vuelta, ainda antes de começar: o meu planeamento não era ir para a geral. A equipa quis testar-me. Tentei, não me senti bem e acabei por deixar-me levar. A partir de agora, quero ajudar a equipa e começar a preparar da melhor forma os Mundiais. Sabia ao que vinha e tenho os meus olhos colocados noutras coisas. Isto não é o Giro, que foi uma contrariedade muito dura, aqui levei bem. O [João] Almeida está bem, que é o mais importante, e vamos tentar ajudá-lo e lutar por alguma etapa”, assumiu Ayuso, num discurso “conformado” depois da quebra que teve na subida.

A “resposta” demorou menos de 24 horas. Numa etapa longa que começou com a notícia da desistência de Cristian Rodríguez, da Arkéa, Edwin Planckaert, Pierre Thierry, Jonas Wilsly e Gal Glivar saíram rápido para a fuga mas não demoraram a ter companhia e de peso: numa primeira instância, Javi Romo, Nico Denz, Oliver Knight e Patrick Eddy; mais tarde, o próprio Juan Ayuso. As cartas começavam a ser lançadas, sendo que até o atual camisola vermelha, Torstein Traeen, entrou num grupo perseguidor onde iam também Jay Vine, Pablo Castrillo e Raúl García Pierna, entre outros. Estavam decorridos apenas 30 quilómetros da sétima etapa mas as movimentações eram muitas, tendo Juan Ayuso sozinho na frente com Raúl Garcia Pierna na perseguição e o pelotão a neutralizar os restantes fugitivos por ação da Visma e da Bahrain.

Foi nessa fase que saltou para a ribalta Mads Pedersen (Lidl-Trek), sem medo dessa primeira subida ao Port del Cantó, juntando-se depois Raúl García Pierna (Arkéa), Marco Frigo (Israel-Premier Tech), Harold Tejada (XDS Astana), Brieuc Rolland (Groupama FDJ), Damien Howson (Q36.5 Pro Cycling Team), Kevin Vermaerke (Picnic PostNL), Eduardo Sepúlveda (Lotto), Sean Quinn (EF Education), Joel Nicolau (Caja Rural) e Jardi Van der Lee (EF Education) a 20 segundos de Ayuso, tendo ainda o pelotão a controlar a desvantagem com menos de um minuto. Só depois dessa passagem o corredor espanhol da Emirates foi alcançado, ficando a seu lado com mais 12 corredores. numa fuga que parecia finalmente estabilizar e que chegava à abordagem ao Port de la Creu de Perves com um avanço de cerca de quatro minutos.

Eduardo Sepúlveda ainda sentiu dificuldades nessa segunda de quatro subidas do dia, com o pelotão a fazer um ligeiro corte na diferença para 3.45 minutos que mantinha em aberto os dois cenários: vitória da fuga ou entrada em conjunto na derradeira montanha. A luta pelos pontos estava ao rubro, com Jay Vine a bater os rivais diretos Joel Nicolau e Sean Quinn antes de nova descida que tinha Mads Pedersen como o maior interessado, na tentativa de somar mais pontos para a camisola verde antes da terceira subida. Juan Ayuso mantinha-se também no grupo da frente, confirmando que poderá ser uma carta para ser jogada pela Emirates na defesa de João Almeida caso se mantenha assim sobretudo na segunda semana de Vuelta. No final dessa descida, a fuga continua a manter a fasquia dos quatro minutos de avanço sobre o pelotão.

“Foi uma etapa complicada, com frio e chuva, mas no final correu bem que é o que interessa. Quando houve o ataque do Ciccone, esperei pela melhor fase para reagir, ataquei mas ficou tudo na mesma. Vamos ver o que esperar desta etapa, veremos o que se pode fazer no final do dia”, comentava de forma lacónica João Almeida numa entrevista ao Eurosport gravada antes do início da etapa. Ou seja, jogo fechado, fichas guardadas e os habituais “veremos” para não dar trunfos aos rivais quando tinha dois companheiros de equipa na fuga para Jay Vine reforçar a liderança da montanha. Ainda assim, e entre o “jogo” do australiano pelos pontos no Coll de L’Espina (com várias bandeiras da Palestina nos dois lados da estrada), a vantagem da fuga começava a encurtar para 3.30 minutos deixando tudo em aberto para os 45 quilómetros que faltavam até à meta.

“Ontem [Quinta-feira] tivemos um bom dia, mostrámos que temos uma equipa muito forte. Podemos ter perdido a camisola vermelha mas ganhámos tempo a alguns adversários como o Ayuso. Perspetivas? É uma subida estranha no fim, vamos ver o que as outras equipas vão fazer para depois atuarmos”, destacava também Jonas Vingegaard em mais uma entrevista ao Eurosport gravada antes da partida. Os quilómetros iam passando, a meta estava mais perto (40km), a diferença entre os 12 corredores em fuga e o pelotão ia mantendo a fasquia dos 3.30 minutos, voltando a subir para quase quatro minutos a 30 quilómetros do fim. Podia ser apenas uma visão aparente mas as hipóteses da fuga vingar começavam aos poucos a crescer.

Jay Vine ia olhando para trás para perceber quem poderia puxar mais pela fuga. Percebia-se que, depois de ter somado vários pontos na montanha, era uma possível “cartada” da Emirates caso os fugitivos vingassem, com essa nuance de ter agora um companheiro de equipa (Juan Ayuso). O australiano tentava forçar o ritmo mas atrás começavam as principais equipas em busca da melhor colocação para a chegada a Huesca La Magia, o que cortou a diferença para três minutos a cerca de dez quilómetros do final já com Mads Pedersen a deixar-se cair à espera do pelotão. Foi nessa fase que Ayuso atacou, com Marco Frigo a tentar colar na roda do espanhol e Sean Quinn também a responder, deixando Jay Vine para trás com a “sua” missão cumprida.

Frigo resistiu e colou a Ayuso, enquanto na parte de trás era a Visma que começava a marcar o ritmo tendo João Almeida colocado na frente perto das “abelhas”. Os três minutos podiam ser curtos face ao aumento da cadência do pelotão mas o espanhol estava apostado em vingar a “derrota” da véspera, quase deixando a ideia de que na chegada a Pal desistiu mais cedo também para poupar forças. Frigo e Raúl Garcia Pierna iam a 40 segundos, o pelotão com seis elementos da Visma na frente seguia a 3.15 do espanhol trocando Victor Campenaerts por Wilco Kelderman a puxar. Mikel Landa começava a pedir ajuda pelo rádio, naquela que foi a primeira quebra no grupo dos favoritos, Ayuso mantinha a vantagem, a Emirates tentava manter Felix Grosschartner e Marc Soler ao lado de João Almeida com o espanhol a aumentar o ritmo a pedido do chefe de fila português. Afinal, nem tudo passaria pela Visma e a resposta da Emirates foi muito afirmativa.

João Almeida foi mesmo para o ataque, com Vingegaard e Ciccone a colarem tendo Egan Bernal a tentar ir ainda à luta sem sucesso e Sepp Kuss a não ter capacidade de resistência. Era entre estes três que recaíam as atenções, com um ligeiro desacelerar a permitir que Egan Bernal voltasse a colar e Kuss a arrancar para uma resposta pronta de Ciccone e do português. A fase de descida permitiu que todos se voltassem a juntar mas o aviso estava deixado perante a forma como o grupo partiu quando João Almeida arrancou. Lá na frente, com mais de um minuto de avanço sobre Frigo e Pierna, Juan Ayuso coroou o seu dia de glória depois do desastre, com tudo em aberto para possíveis ataques por uns segundos no final antes de Marc Soler sair para a frente sem resposta antes da chegada de todos os favoritos em mais um “empate técnico”.

Em atualização

Fábio Silva no Borussia Dortmund

O Borussia Dortmund oficializou a contratação do avançado Fábio Silva.

O português, novo número 21, assina contrato até 2030 com o clube alemão.

Os valores do negócio não foram divulgados, mas devem rondar os 22 milhões de euros, mais objetivos.

Fábio Silva deixa de ter contrato com o Wolverhampton, clube onde tinha chegado em 2020.

Na época passada, cedido ao Las Palmas, o avançado formado no FC Porto marcou dez golos em 25 jogos.

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