A paz é feita entre inimigos

A guerra em Gaza é apresentada, todos os dias, como uma resposta ao Hamas, como uma batalha contra o terrorismo, como a enésima defesa da segurança de Israel. Mas essa explicação, repetida até à exaustão, é apenas a superfície de um processo em curso muito mais profundo. Nunca foi verdadeiramente sobre o Hamas, nem sobre o cessar-fogo, nem sequer sobre o destino imediato dos reféns. Foi — e continua a ser — sobre Netanyahu, a sua sobrevivência política e a erosão calculada de qualquer hipótese de dois Estados.

Os leitores são a força e a vida do jornal

O contributo do PÚBLICO para a vida democrática e cívica do país reside na força da relação que estabelece com os seus leitores.Para continuar a ler este artigo assine o PÚBLICO.Ligue – nos através do 808 200 095 ou envie-nos um email para [email protected].

Israel bombardeia capital do Iémen. Seis mortos e dezenas feridos

Israel lançou este domingo vários ataques aéreos sobre a capital do Iémen, Sanaa, atingindo alvos considerados estratégicos das forças Houthi.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

De acordo com uma fonte do Ministério da Saúde controlado pelos Houthi, os bombardeamentos provocaram seis mortos e 86 feridos. As forças armadas israelitas afirmaram que os ataques visaram um complexo militar onde se situa o palácio presidencial, duas centrais elétricas e um depósito de combustível.

“Os ataques foram realizados em resposta aos repetidos ataques do regime terrorista Houthi contra o Estado de Israel e os seus civis, incluindo o lançamento de mísseis terra-terra e veículos aéreos não tripulados para território israelita nos últimos dias”, afirmou o exército israelita, em comunicado.

Na sexta-feira, os Houthi anunciaram ter lançado um míssil balístico em direção a Israel, justificando a ação como um gesto de solidariedade com os palestinianos na Faixa de Gaza.

Um responsável da Força Aérea israelita indicou que o míssil transportaria várias submunições “destinadas a ser detonadas no impacto”.

“É a primeira vez que este tipo de míssil é lançado a partir do Iémen”, acrescentou a mesma fonte.

Desde o início da guerra de Israel contra o Hamas, em outubro de 2023, os Houthi têm intensificado os ataques a navios no Mar Vermelho e lançado mísseis contra Israel, em apoio declarado aos palestinianos.

Abdul Qader al-Murtada, alto responsável do movimento Houthi, garantiu este domingo que o grupo continuará os ataques enquanto persistir o conflito na Faixa de Gaza.

“(Israel) deve saber que não abandonaremos os nossos irmãos em Gaza, quaisquer que sejam os sacrifícios”, escreveu na rede social X.

Incentivar a leitura: um compromisso de todos

Esta época do ano é especial para a literatura, já que os livros deixam as prateleiras e ocupam o espaço público nas feiras que se realizam em muitas localidades do nosso país. Quando a produção literária se torna visível, acessível e celebrada, não estamos apenas e só a promover autores ou editoras. Estamos a cultivar leitores, a estimular o pensamento crítico e a reforçar o papel da cultura na nossa vida coletiva.

Além de proporcionarem o encontro único entre autores e leitores, as feiras do livro são espaços de descoberta, diálogo e pertença, onde o livro ganha vida, crianças descobrem histórias e adultos encontram o prazer de ler.

Em Portugal, o incentivo à leitura continua a ser um desafio, o que torna fulcral este tipo de eventos. Os dados mais recentes sobre os hábitos de leitura são encorajadores, especialmente entre os mais jovens. Um estudo divulgado recentemente, revelou que na faixa etária dos 18 aos 24 anos de idade, 39% dos inquiridos leem 10 livros por ano e 23% chegam a ultrapassar os 20 títulos, valores muito superiores aos registados noutras idades. Ou seja, há uma tendência clara de subida do mercado editorial, que este ano registou um impulso de 10%.

Estes sinais positivos mostram que estamos a trilhar o caminho certo. No entanto, este é um esforço que exige continuidade para aumentar estes números e podermos alcançar uma verdadeira cultura de leitura sustentada e abrangente.

Mas neste contexto todos temos um papel a desempenhar.

As feiras do livro, que acontecem durante todo o verão, representam uma alavanca estratégica para o desenvolvimento cultural e social, com benefícios que vão muito além da promoção editorial. A sua realização em espaços públicos emblemáticos reforça a ligação entre a literatura e a comunidade, criando experiências memoráveis e impacto duradouro.

Todos nós podemos assumir um compromisso enquanto agentes culturais. Cada leitor tem o poder de influenciar positivamente o seu círculo familiar ou de amigos, seja através da recomendação de livros, da participação em clubes de leitura ou da partilha de experiências literárias nas redes sociais. Ao assumirem este papel, os cidadãos tornam-se catalisadores de mudança.

Por fim, mas não menos importante, as empresas e instituições têm de assumir uma responsabilidade crescente na valorização da leitura. Como? Contribuindo com recursos, espaços e iniciativas concretas que ampliem o acesso ao livro e à literatura. Estabelecer colaborações com escolas, bibliotecas e autarquias, apoiando projetos educativos, concursos literários e campanhas de sensibilização que estimulam o gosto pela leitura em todas as faixas etárias.

Promover a leitura é, por isso, uma responsabilidade partilhada: um compromisso coletivo que exige vontade, criatividade e ação contínua. Só assim poderemos construir uma sociedade mais informada, mais crítica e mais criativa.

Praias imaculadas, hotéis de luxo e guardas em cada deslocação. As férias em Wonsan Kalma, a Benidorm da Coreia do Norte

Quase cinco quilómetros de praias sem vivalma, um mar calmo, e espreguiçadeiras acabadas de estrear. É este o cenário encontrado pelos turistas ao chegar ao novo resort de Wolsan Kalma, a que a imprensa internacional já chama de Benidorm… da Coreia do Norte.

A Zona Turística Costeira de Wonsan Kalma abriu portas a 1 de julho e, por enquanto, está só aberta a turistas russos. Quem lá vai pode usufruir de hotéis de luxo, restaurantes, centros comerciais e até um parque aquático: tudo na mesma zona escolhida pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, para a sua mansão de férias. Tem capacidade para 20 mil pessoas e foi construída depois das visitas de uma delegação norte-coreana, em 2017, a Benidorm para inspiração.

Duas mulheres russas, que estiveram em Wolsan Kalma no mês inaugural de julho, falaram com a imprensa britânica. Uma delas é Anastasia Samsonova, que à BBC News relatou como era acompanhada por guias e guardas norte-coreanos para todo o lado. Além disso, o itinerário tinha que ser rigorosamente seguido; alterações, só se as autoridades o permitissem.

Segundo explicaram à profissional de recursos humanos de 33 anos, os guardas serviam para “evitar situações em que se interagisse com os locais e eles ficassem assustados”, contou à BBC. Além disso, Anastasia Samsonova foi avisada de que não deveria usar roupas reveladoras, nem tirar fotografias a estaleiros de obras.

Todos os dias, a areia da praia era limpa. “Tudo estava imaculado” e o areal estava sem gente, elogiou a turista russa. E caso quisesse levar um souvenir, podia comprar uma reprodução de um míssil por 40 dólares (34 euros) — afinal, o resort fica perto de um local onde se realizam testes com mísseis. Quanto à comida, não faltou carne com molho agridoce nem uma salada com couve e cenoura cortadas em fatias muito finas.

Outra turista russa, Daria Polishchuk, recordou ao jornal The Telegraph os buffets em que marcavam presença foie gras, queijo frito e batatas fritas. A sua visita passou pelo resort de Wonsan, mas também pela capital Pyongyang e pelo Monte Myohyang.

Segundo a BBC, uma viagem da Rússia à Coreia da Norte, que inclui três dias no resort, custa cerca de 1.800 dólares (1.535 euros) e só está disponível através de agências de viagem. Apesar de haver interesse em datas em setembro, as viagens não foram agilizadas porque faltam autorizações por parte das autoridades norte-coreanas.

Este resort faz parte da estratégia de Kim Jong-un para atrair turistas, desde que aceitem as condições de vigilância permanente. Mas segundo a BBC, grupos de defesa dos direitos humanos já denunciaram que Wonsan Kalma foi construído por trabalhadores sujeitos a trabalhos forçados e horas de trabalho excessivas, além de que houve pessoas expulsas das suas casas.

A Grande Ilusão. Cairemos na esparrela de novo?

O país tem vivido dias terríveis à conta dos incêndios. Dias que a grande maioria dos portugueses não esperava voltar a viver. E não esperava porque esta é uma problemática complexa, que é mal entendida pelo público em geral. O que é, aliás, mais que natural – a maioria das pessoas, eu e os leitores incluídos, não tem grande conhecimento específico sobre a maioria dos problemas, acabando por confiar, ainda que com maior ou menor prudência, nas organizações que suporta com o pagamento de impostos, para lhe solucionar os problemas.

Stephen Pyne deu-nos (e deu-nos especificamente a nós, num artigo – de vários – que escreveu sobre o nosso país em 2006), não obstante, um enquadramento:

“Contrariamente aos restantes elementos – água, terra e ar – o fogo não existe por si próprio. É, antes, uma reacção, a soma brilhante das suas circunstâncias. É uma criação do seu contexto. Conhecer esse contexto é conhecer o fogo. Controlar esse contexto é controlar o fogo.”

E que contexto é, então, esse?

Também não é nenhuma novidade.

“Estamos em frente de um problema de enorme amplitude económica e social que exige outras soluções para além da benemerência e sacrifício dos Bombeiros, que apesar do seu heroísmo, não têm poder nem meios que lhes permitam debelar um perigo que está a tornar-se o inimigo número um das pessoas e dos haveres desta gente das Beiras, já tão atormentada pela dura vida que lhe é imposta pela cultura da magra terra.

Actualmente o mato passou a crescer livremente, atingindo metros de altura em pouco tempo, criando brenhas impenetráveis, com a agravante de se estender a todos os recantos, até à proximidade das povoações.

O fogo continuará a ser rei e senhor das nossas terras se outras soluções não forem estudadas e postas em prática…”

Estas linhas foram escritas por José de Oliveira e Costa, no jornal A Comarca de Arganil (nº 6196) em 1967! Mas podiam ter sido escritas hoje.

Com efeito, já perdi a conta às vezes que aqui o escrevi, o que é verdadeiramente determinante na problemática dos incêndios é o combustível acumulado nas paisagens que o êxodo rural deixou abandonadas (Por exemplo a Pampilhosa da Serra, um dos concelhos onde o fogo tem sido um flagelo, tinha 15.500 habitantes na década de 1940, acabou o século XX com pouco mais de 5000, e continuou a perder, estando hoje abaixo dos 4000).

Parece simples, mas tem sido difícil de entender. Mitos vários contribuem para gerar confusão na opinião pública quando o tema dos incêndios é notícia. Por outro lado, passadas as horas de aflição, o esquecimento chega rapidamente. E como aqueles a quem confiamos a tarefa nos dizem que muito se tem feito… Acreditamos.

Mas não é verdade que até se tem feito muita coisa, investido muito dinheiro, reforçando estruturas, infraestruturas, equipamentos, elaborando planos, implementando programas vários, agilizando processos, mudando legislação vária, etc., etc.?

Sim, é verdade. Mas é só uma meia verdade. Porque são questões secundárias para a nossa segurança quanto a este problema. É a acumulação de mato o contexto de que falava Pyne, e é o seu controlo a forma de controlar o contexto do fogo, logo o próprio fogo.

Todavia na paisagem, o mato, tal como nos contava Oliveira e Costa no longínquo ano de 1967, continua a crescer livremente. Consequentemente, todo esse muito que se tem feito no resto, acaba por valer nada. É uma falsa sensação de segurança. Uma meia verdade. E como diz o provérbio chinês, se é uma meia verdade, é uma mentira inteira.

Dúvidas houvesse, fica a demonstração: sem eliminar os matos, acaba por ser o próprio fogo, via incêndios indesejados e indesejáveis (porque muitos deles catastróficos), a fazê-lo; as grandes queimas dos anos de 2003 e 2005 e depois os anos de 2016 e sobretudo 2017, foram as maiores limpezas de mato a que assistimos (nestes dois curtos períodos juntos ardeu 1,5 milhões de hectares, substancialmente mais que os 1,1 milhões ardidos nos restantes 17 anos – de 2006 a 2024). Naturalmente que os anos seguintes a estas grandes queimas seriam forçosamente anos mais… calmos.

Mas não é preciso grande esperteza para perceber que o efeito é temporário, a vegetação cresce de novo, e o perigo ressurge! Contudo, o que ouvíamos nesses intervalos (tanto fez, se foi com PS ou PSD)? Vale a pena reavivar a memória:

2008: “No ano passado tivemos o melhor ano de sempre e este ano ainda melhorámos mais.”;

2008: “Existe uma boa cooperação (…) estamos agora com uma melhor coordenação.”;

2014: “2014 foi o melhor ano na última década em número de incêndios e área ardida”;

2023: “Marcelo e Costa realçam lições (de Pedrógão)”;

2023: “Combate aos incêndios: 2023 é um dos melhores anos de sempre.”;

2024: “Estamos muito mais bem preparados e os portugueses podem estar descansados”.

Estamos, agora e com dor (porque o que podíamos ter feito e não fizemos, vem agora o fogo fazer à bruta), a perceber que estávamos mergulhados numa ilusão. Novamente numa ilusão. Vamos acordar de vez? Ou quando vier a chuva vamos deixar-nos enganar de novo?

Autarca diz ser “muita coincidência” os grandes fogos em Sabrosa

A presidente da Câmara de Sabrosa, Helena Lapa, considerou este domingo ser “muita coincidência” haver três grandes incêndios no concelho em cerca de um mês e considerou poder haver uma “mão criminosa”.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

Pelas 22:00, o cenário é mais favorável no fogo que deflagrou às 15:06 na zona de Paradela de Guiães, no concelho de Sabrosa, distrito de Vila Real, que queimou mato e pinhal e lavrou entre aldeias.

Este é já o terceiro grande fogo que atinge o concelho de Sabrosa desde julho, com o primeiro a afetar a zona de Souto Maior, depois outro que começou em São Cibrão (Vila Real) e se estendeu até São Martinho de Anta e o de hoje. Nas duas primeiras ocorrências arderam cerca de 1.500 hectares.

“É muita coincidência, três em pouco menos de um mês é muita coincidência, há aqui uma mão criminosa com certeza por trás disto tudo”, afirmou a presidente da Câmara de Sabrosa, Helena Lapa.

A autarca disse que o incêndio de hoje terá começado, segundo informações que lhe foram fornecidas, “em dois sítios diferentes”.

“E isto é tudo muito estranho, esta parte do concelho ainda não tinha sido atingida, já tinha havido umas tentativas que felizmente foram logo circunscritas”, referiu.

Quase diariamente tem havido ignições neste concelho do distrito de Vila Real.

Helena Lapa disse que hoje a propagação do fogo “foi muito rápida”.

“A esta hora [cerca das 22:00] temos um cenário mais favorável. Os reforços terrestres que fomos empenhando durante o período da tarde estão já a trabalho e isso traz-nos aqui já uma capacidade acrescida no combate”, disse, por sua vez, o segundo comandante sub-regional do Douro, José Requeijo.

A entrada da noite, o aumento da humidade e a diminuição das temperaturas vão, segundo apontou, beneficiar o combate.

“E também os acessos onde estão colocadas as equipas terrestres são favoráveis ao combate. Temos duas frentes ativas neste momento, com alguma extensão ainda, cada uma com cerca de um quilómetro, mas em locais onde previsivelmente o combate vai ser muito favorável nas próximas horas”, acrescentou José Requeijo.

O comandante acredita que, nas próximas horas, se “poderá ter o domínio desta ocorrência”.

“Neste momento não há aldeias em risco. Pontualmente houve duas aldeias onde o fogo se aproximou, Sobrados e Fermentões, mas os meios estavam a fazer a defesa das habitações e não temos qualquer referência de ter havido danos em habitações ou estruturas e não foi necessário fazer nem confinamentos nem evacuação”, referiu.

Como dificuldades no combate ao fogo, José Requeijo, apontou o “acumulado na meteorologia adversa, como o tempo quente e seco, bem como a exaustão dos próprios meios de combate que têm já um período muito longo”.

Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram quatro mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual dispõe de dois aviões Fire Boss, um helicóptero Super Puma e dois aviões Canadair.

Segundo dados oficiais provisórios, até 23 de agosto arderam cerca de 250 mil hectares no país, mais de 57 mil dos quais só no incêndio que teve início em Arganil.

Liderar entre gerações: um dos desafios contemporâneos da PSP

Vivemos um tempo de transição geracional profunda e as instituições com forte tradição hierárquica, como a PSP, enfrentam o desafio de liderar homens e mulheres cujos referenciais culturais, sociais e profissionais são substancialmente diferentes aos das gerações anteriores.

Os leitores são a força e a vida do jornal

O contributo do PÚBLICO para a vida democrática e cívica do país reside na força da relação que estabelece com os seus leitores.Para continuar a ler este artigo assine o PÚBLICO.Ligue – nos através do 808 200 095 ou envie-nos um email para [email protected].

Rússia e Ucrânia trocam 146 prisioneiros de guerra

Rússia e Ucrânia realizaram este domingo uma nova troca de prisioneiros de guerra, com 146 detidos libertados por cada lado, segundo confirmaram o Ministério da Defesa russo e a Presidência ucraniana.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui.

A operação foi mediada pelos Emirados Árabes Unidos e resultou na libertação de um total de 292 pessoas. Segundo Moscovo, os prisioneiros russos foram encaminhados para a Bielorrússia, onde estão a receber apoio médico e psicológico.

A Ucrânia também devolveu à Rússia oito cidadãos residentes na região russa de Kursk, referiu ainda o ministério russo.

“As trocas continuam. Talvez isso seja possível graças aos nossos soldados, que aumentam o fundo de troca para a Ucrânia”, escreveu o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na rede Telegram, agradecendo o papel dos Emirados Árabes Unidos na supervisão do processo.

Zelensky partilhou imagens dos soldados ucranianos libertados, alguns dos quais estavam detidos desde 2022, ano do início da invasão russa. Entre os libertados encontra-se também um jornalista capturado um mês após o início da guerra.

Kilmar Abrego García foi expulso dos EUA, preso e voltou. Agora, a administração Trump quer deportá-lo para o Uganda

A detenção e deportação de Kilmar Abrego García dá que falar desde o início, mas a história — ou a “odisseia” do imigrante que se tornou um símbolo das políticas de imigração de Trump, como escreve o “New York Times” — ainda não terminou. Depois de o salvadorenho ter sido deportado para El Salvador, transferido para uma prisão nos Estados Unidos e por fim libertado pela justiça norte-americana, para enfrentar as autoridades já de regresso à sua casa em Maryland, a administração Trump está a planear deportá-lo de novo, mas para o Uganda.

A informação é avançada por vários meios da imprensa internacional, que dão conta das informações transmitidas pelos advogados de defesa de Kilmar Abrego García. Os defensores do imigrante disseram em tribunal, este sábado, que este é o plano equacionado por Trump, depois de Abrego García ter recusado um acordo que implicaria a sua deportação para Costa Rica e uma confissão de culpa, e que o salvadorenho foi notificado dessa intenção “minutos depois” da sua libertação, escreve a CNBC.

Abrego García foi libertado da prisão onde estava, no Tennessee, na sexta-feira. Tinha sido transferido para lá depois de ter sido deportado em março e colocado numa mega-prisão salvadorenha, e a juíza acabou por determinar que a sua prisão tinha sido um “erro” e que não se justificava.

Abrego García estava agora a preparar-se para enfrentar as acusações de tráfico humano que surgiram quando voltou aos Estados Unidos, pela mão da administração norte-americana, e que remontam a um encontro que o arguido teve com agentes da polícia no Tennessee em 2022, quando viajava com vários alegados imigrantes sem documentos. Abrego García declarou-se inocente na primeira audiência sobre estas acusações, que teve lugar a 13 de junho em Nashville.

Agora, os advogados vieram mostrar documentação que indica que o governo norte-americano exigiu que se apresente em Baltimore na segunda-feira, podendo ser novamente deportado. O acordo que tinha sido apresentado na quinta-feira implicava que fosse deportado para a Costa Rica — agora, a administração norte-americana diz que o salvadorenho pode pensar em aceitar esse acordo até segunda-feira, ou deixará de ter essa opção.

A secretária para a Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, já veio dizer que o governo não descansará até Kilmar Abrego García — a quem se refere como “monstro” — se encontrar fora de território norte-americano. O imigrante salvadorenho tem 30 anos, fugiu do país em que nasceu aos 16 anos para escapar a um gangue que aterrorizaria a sua família e foi viver para Maryland, onde o irmão já vivia como cidadão norte-americano, como recorda a France24. 

Entretanto, Abrego García começou a trabalhar na construção civil, conheceu a mulher e foi pai. Em 2019 foi acusado de pertencer a um gangue, depois de as tatuagens e roupa que vestia terem gerado esse alarme numa loja de bricolage onde andava à procura de trabalho. Não chegou a ser acusado e o juiz que o ouviu na altura garantiu que não poderia ser deportado para El Salvador, por temer com fundamento problemas com o mesmo gangue que costumava perseguir a sua família.

Desde então, segundo os seus advogados, Abrego García conseguiu autorização para trabalhar legalmente nos EUA e apresentou-se anualmente aos serviços de informação. Em março, já com a administração Trump no poder, acabou por ser deportado para El Salvador, violando a ordem do juiz dada em 2019 — um erro administrativo, veio justificar o governo norte-americano, apesar de Trump ter depois acusado repetidamente o imigrante de ser membro de um gangue. Abrego García disse ter sido agredido e torturado na prisão.

Responsáveis dos serviços de imigração norte-americanos como o diretor-adjunto Thomas Giles tinham garantido que Abrego García seria deportado assim que saísse da prisão, e que pode sê-lo porque começou por entrar nos EUA de forma ilegal e porque a ordem do juiz de 2019 indica que não pode ser devolvido a El Salvador, mas não impede que seja deportado para outros países.

“Só pode haver uma interpretação: as autoridades estão a usar os seus poderes para forçar Abrego a escolher entre uma confissão de culpa, seguida de uma segurança relativa, ou render-se no Uganda, onde a sua liberdade e segurança estaria sob ameaça”, escreveram os advogados ao juiz, numa carta citada pela CNN. “É difícil imaginar um caminho que o governo pudesse ter tomado e que enfatizasse melhor a sua sede de vingança. Este caso devia ser arquivado”.

Como Virginia Hall, que só tinha uma perna, pregou uma rasteira aos nazis

Espia viveu uma vida de filme. Rejeitada, ergueu-se (com uma perna só) para se tornar a única mulher civil a ser agraciada pelos seus serviços prestado na II Grande Guerra. Durante a II Guerra Mundial, Virginia Hall, uma agente norte-americana, tornou-se uma das figuras mais temidas pela Gestapo na França ocupada. Conhecida pelos nazis como “a mais perigosa de todas as espiãs aliadas”, a “senhora que coxeava”, como lhe chama a CIA, operava secretamente em Lyon, onde comandava redes da Resistência Francesa, salvava centenas de soldados aliados e pregava rasteiras aos seus perseguidores — apesar de ter apenas uma perna.

1 93 94 95 96 97 613