O país em modo de rescaldo

Se mesmo António Costa, depois da absoluta tragédia que foi Pedrógão, teve condições para voltar a ganhar eleições, não há nada que indique que Luís Montenegro, com o tempo como aliado, não possa apagar os efeitos de um Verão desastroso. Há, no entanto, sinais que podem perdurar, independentemente dos esforços de contenção de danos feitos nos últimos dias.

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União Europeia diz que fome é realidade em Gaza e exige ações de Israel

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A comissária europeia para a Ajuda Humanitária admitiu esta sexta-feira que a fome “é uma realidade” em Gaza, após um relatório da ONU que a declarou oficialmente naquele território palestiniano, exigindo a Israel que deixe entrar apoio humanitário.

“A fome já não é um risco em Gaza, é uma realidade”, disse a comissária para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Hadja Lahbib, em comunicado divulgado.

A comissária acrescentou que “há crianças a morrer à fome e de doenças, enquanto famílias inteiras estão vários dias sem o que comer” e o acesso a água potável e ao apoio médico colapsaram.

A comissária europeia reagiu a um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou a situação de fome na Faixa de Gaza, palco há 22 meses de uma ofensiva militar de Israel, que está a bloquear há meses o acesso de apoio humanitário.

A União Europeia fez um acordo, apenas verbal, com Telavive para permitir a entrada de ajuda humanitária no enclave palestiniano, mas Israel não o respeitou.

Os 27 consideraram que houve progressos no entendimento feito com as autoridades israelitas, mas a situação agravou-se e a fome foi declarada pela ONU.

Hadja Lahbib sustentou que a situação está “num ponto sem retorno” e disse que a fome provocará mais mortes “se não se tomarem medidas imediatas”.

Em simultâneo, o Governo israelita avançou para a ocupação total da Cidade de Gaza.

Imagens divulgadas nas redes sociais nas últimas semanas mostraram militares israelitas a balear civis palestinianos que estavam a aglomerar-se para tentar obter alguma comida, que desde final de maio apenas é distribuída pela Fundação Humanitária de Gaza, uma entidade privada apoiada por Israel e pelos Estados Unidos.

Estas ações foram denunciadas por várias organizações não-governamentais e por órgãos de comunicação social.

A comissária europeia pediu uma “resposta sustentável e de grande dimensão” para combater este flagelo, admitindo, no entanto, que a pressão internacional “não foi suficiente” para dissuadir as ambições israelitas.

A União Europeia não tem permissão de Israel para entrar no enclave palestiniano, pelo que conta exclusivamente com a palavra das autoridades israelitas, no que diz respeito ao cumprimento do entendimento para levar para Gaza assistência humanitária.

A África do Sul iniciou um processo no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) acusando Israel da prática do crime de genocídio contra a população palestiniana, a que se associaram depois vários países.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

Justiça polaca acusa ex-ministro da Defesa de revelar planos contra a Rússia

O Ministério Público de Varsóvia acusou esta sexta-feira o ex-ministro da Defesa Mariusz Blaszczak e outros altos elementos da segurança nacional de revelação de segredos do Estado, após a divulgação em 2023 de um plano contra um eventual ataque russo.

De acordo com o Ministério Público, Blaszczak, que era ministro do Governo anterior, liderado pelos ultraconservadores e nacionalistas da Lei e Justiça (PiS), divulgou os documentos durante a campanha eleitoral para as legislativas, realizadas em outubro de 2023, excedendo a sua autoridade e com a intenção de benefícios próprios e do partido.

Ao fazê-lo, “prejudicou gravemente” os interesses da Polónia, segundo o Ministério Público.

O documento em causa referia-se a um plano de defesa, concebido durante o mandato dos liberais pró-europeus da Plataforma Cívica (PO), liderada pelo atual primeiro-ministro, Donald Tusk, e que estavam no poder antes da chegada do PiS, em 2015.

Nas legislativas em 2023, marcada por uma tensa campanha eleitoral e em plena invasão russa da vizinha Ucrânia, uma coligação promovida por Tusk desalojou o PiS do Governo.

A Procuradoria de Varsóvia alega que, na campanha, Blaszczak utilizou o plano para atacar o PO, argumentando que este pretendia defender a Polónia apenas a partir da linha marcada pelo rio Vístula, cedendo a metade oriental do país a eventuais invasores russos sem luta.

O ex-ministro afirmou esta sexta-feira na rede X que a acusação é um “ato de vingança” do atual chefe do Governo e que “desclassificaria novamente os documentos sem hesitar para revelar as verdadeiras intenções da equipa de Tusk”.

Além de Blaszczak, entre os acusados encontra-se Slawomir Cenckiewicz, nomeado este mês para a direção dos serviços de informações polacos (ABW) pelo Presidente polaco Karol Nawrocki, apoiado pelo PiS, e outros elementos ligados à segurança do país.

O novo chefe da espionagem interna defendeu-se no X, comentando que as acusações são “falsas e completamente infundadas” e a investigação está repleta de irregularidades.

“Esta é a vingança daqueles que passaram anos a construir amizade com a Rússia e a envolver instituições estatais nas suas relações com a Rússia, incluindo o FSB [serviço de informações russos]. Eu era e sou inocente! Nunca infringi a lei!”, argumentou.

A acusação esta sexta-feira divulgada é o mais recente episódio de problemas com a justiça polaca de elementos ligados ao PiS.

O deputado Dariusz Matecki foi detido na semana passada por acusações de corrupção e o antigo vice-ministro da Justiça Marcin Romanowski pediu asilo político na Hungria após envolvimento em crimes de fraude.

O próprio PiS foi acusado pela Comissão Eleitoral de financiamentos irregulares através de fundos públicos nas legislativas de 2023.

Apesar de permanecerem em polos opostos e da acentuada divisão política na Polónia, país que acolhe cerca de um milhão de refugiados ucranianos, quer o PiS quer os rivais do PO, são firmes apoiantes de Kiev na resistência à agressão russa.

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Gouveia e Melo indica habitação, saúde e imigração como “problemas graves”

O candidato presidencial Gouveia e Melo indicou esta sexta-feira a habitação, saúde e imigração como os “problemas graves” da sociedade portuguesa que geram ódios e com isso afeta-se a democracia a longo prazo.

“Nós temos problemas graves na sociedade portuguesa. Além dos fogos que foi evidente, temos problemas gravíssimos de habitação que está a deslaçar a nossa própria sociedade, a criar problemas tremendos dentro da nossa sociedade”, indicou.

Aos jornalistas, disse ainda que Portugal tem também “um problema de saúde” e que os portugueses têm essa perceção.

“E há um problema também, indiretamente, com o problema da saúde, o fenómeno da migração”, acrescentou.

Para Gouveia e Melo, “esse problema é ainda mais complexo, porque a nossa economia também precisa de imigrantes e, portanto, tem que haver uma boa gestão”.

“Temos um problema de se estar a gerar ódios dentro da nossa sociedade, em vez de confiança e isso vai afetar a nossa democracia, de forma direta ou indireta a médio e longo prazo”, considerou.

Neste sentido, afirmou que é necessário “gerar confiança, gerar esperança e realizar coisas” e não “andar a prometer e nada acontecer”.

Referindo-se aos incêndios, o candidato presidencial questionou se “esta situação dos fogos é aceitável”.

“Se não é aceitável, o Estado fez tudo o que podia ter feito para evitar ou não?“, perguntou, acrescentando que não fez e que é necessário fazer “melhor e diferente”.

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Gouveia e Melo visitou pela primeira vez a Feira de São Mateus, que este ano vai na 633.ª edição, e das pessoas ouviu palavras de incentivo e de apoio, tirou fotografias e ouviu pedidos para “quando ganhar, educar o Governo, que precisa de ser educado”.

Aos jornalistas, Gouveia e Melo admitiu não concordar com a necessidade de educar o Governo, porque “nenhum presidente educa um governo, acompanha quando tem de acompanhar, ajuda quando tem de ajudar e chama a atenção quando tiver de chamar à atenção”, como faria, disse, para os “problemas graves” que descreveu.

Durante a hora que a agência Lusa acompanhou a visita, Gouveia e Melo abordou temas como a sustentabilidade e a erradicação da pobreza e fez um rastreio à sua tensão arterial, que estava a 7-10. “Estou aqui em grande forma física”, reagiu.

Questionado sobre se se manteria assim no caso de ser eleito e perante situações como as que o país vive atualmente com os incêndios, Gouveia e Melo puxou a si a veia militar.

“O meu treino, o meu passado militar, permite-me enfrentar situações muito difíceis mantendo a tensão controlada, no entanto há coisas que têm de ser ditas e há momentos em que não podemos esperar para dizer certo tipo de coisas”, assumiu.

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Medidas anunciadas são insuficientes mas é importante “garantir que as insuficiências se concretizam”

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O secretário-geral do PCP disse esta sexta-feira que as medidas anunciadas pelo Governo em resposta aos incêndios são insuficientes, mas que a questão principal “é garantir que as insuficiências se concretizam”.

“Ontem [quinta-feira], o Governo anunciou um conjunto de medidas para enfrentar de forma mais urgente as questões decorrentes dos incêndios, insuficientes. Mas a questão principal não é apenas a insuficiência das medidas, é garantir que mesmo as insuficientes se concretizam”, disse.

Paulo Raimundo, que falava esta sexta-feira no Laranjeiro num comício de apresentação de candidatos da CDU à Câmara e à Assembleia Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, disse que o país “está preso por arames” e que continua todos os anos a arder e que, nestas alturas, surgem as promessas.

Contudo, adiantou, “não se ouviu falar dos 114 milhões de euros cortados no apoio a floresta no ano passado“.

Aos militantes e apoiantes da candidatura de Luís Palma a presidente da Câmara Municipal de Almada presentes no comício, Paulo Raimundo contou que esteve em Ponte da Barca, num cenário desolador, e que as populações lhe disse que, após os incêndios em 2022, prometeram-lhes a sustentação do solos, mas ainda aguardam a concretização dessas medidas.

“Não é assim que nós lá vamos. Medidas anunciadas, por muito insuficientes que sejam, são mesmo para serem concretizadas para apoiar aquelas populações, bombeiros e pequenos produtores”, frisou.

Paulo Raimundo disse ainda que “o país não precisa de mais planos e grupos de trabalho e comissões técnicas, mas que se cumpra o que está decidido”.

“O que o país precisa, no que respeita a floresta, é que o interesse nacional se sobreponha ao interesse dos grandes grupos económicos“, frisou.

O Governo aprovou na quinta-feira, numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros, em Viseu, um quadro com 45 medidas “a adotar em situação de incêndios de grandes dimensões, com consequências no património e na economia de famílias e empresas”, e que pretende permitir, “de forma rápida e ágil, colocar no terreno medidas de apoio às regiões e pessoas afetadas”.

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Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram três mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, ao abrigo do qual dispõe de dois aviões Fire Boss e de um helicóptero Super Puma, estando previsto chegarem hoje mais dois aviões Canadair.

Segundo dados oficiais provisórios, até 22 de agosto arderam cerca de 234 mil hectares no país, mais de 53 mil dos quais só no incêndio que teve início em Arganil.

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Ghislaine Maxwell diz não ter conhecimento de nenhuma “lista de clientes” de Epstein

Ghislaine Maxwell, a parceira de Jeffrey Epstein, disse em Julho a um funcionário do Departamento de Justiça que não tinha conhecimento de nenhuma “lista de clientes” pertencente ao falecido magnata, acusado de liderar uma rede de tráfico de raparigas menores, e que nunca viu o actual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comportar-se de forma inadequada, de acordo com a transcrição de uma entrevista divulgada esta sexta-feira.

“Nunca testemunhei o presidente em nenhuma situação inadequada”, disse Maxwell, de acordo com a transcrição da sua entrevista de dois dias realizada no mês passado com o vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche. “O presidente nunca foi inadequado com ninguém.”

Ghislaine Maxwell também disse a Blanche que não tinha conhecimento de alguma “lista de clientes” de Epstein. As amizades de Epstein com indivíduos ricos e poderosos alimentaram teorias da conspiração de que outras pessoas estariam envolvidas nos seus crimes, mas ninguém foi acusado criminalmente além do próprio e de Ghislaine Maxwell.

Jeffrey Epstein foi encontrado morto na prisão em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual, perante as quais se declarou inocente. Maxwell foi condenada por tráfico sexual em 2021, por ajudar Epstein a abusar de raparigas menores de idade. A parceira de Epstein declarou-se inocente e está a pedir ao Supremo Tribunal dos EUA que anule a sua condenação.

A publicação da entrevista decorre numa altura em que Trump enfrenta críticas dos seus apoiantes conservadores e de congressistas democratas sobre a decisão do Departamento de Justiça de não divulgar os arquivos da investigação sobre Epstein, o que se tem tornado num dos maiores problemas políticos de segundo mandato na Casa Branca.

Em entrevistas durante a campanha presidencial, Trump prometeu divulgar os registos governamentais relativos à investigação sobre Epstein e deixou em aberto a possibilidade de que a morte de Epstein não tivesse sido um suicídio.

Em Fevereiro, quando questionada pela Fox News sobre se o Departamento de Justiça divulgaria o que um jornalista disse ser a lista de clientes de Epstein, a procuradora-geral Pam Bondi disse tê-los em cima da secretária para revisão.

No entanto, em Julho, o Departamento de Justiça disse que não divulgaria mais nenhum documento do caso, após concluir que “não havia lista de clientes incriminatória” nem qualquer evidência de que Epstein tivesse chantageado pessoas proeminentes.

“Trump sempre foi muito cordial e gentil comigo”

A entrevista de Todd Blanche a Ghislaine Maxwell, em 24 e 25 de Julho, aconteceu numa altura em que Donald Trump tentava amenizar as repercussões políticas da decisão do Departamento de Justiça de não divulgar os ficheiros.

É raro que um funcionário do Departamento de Justiça tão veterano quanto Blanche — que já foi o advogado pessoal de Donald Trump — entreviste directamente um réu. A conversa também ocorreu quando o advogado de Maxwell, David Markus, disse que esta aceitaria um perdão de Trump.

Uma semana após a entrevista, Maxwell foi transferida de uma prisão de baixa segurança na Florida para um estabelecimento ainda menos restritivo no Texas. A cúmplice de Epstein está a cumprir uma pena de 20 anos de prisão por recrutar raparigas menores de idade para Epstein abusar durante encontros que começavam como massagens e depois se transformavam em encontros sexuais sem consentimento.

Trump conheceu Epstein socialmente na década de 1990 e no início dos anos 2000. Durante o julgamento de Ghislaine Maxwell, o piloto de longa data do gestor financeiro, Lawrence Visoski, testemunhou que Trump voou no avião particular de Epstein várias vezes. Trump negou ter voado no avião. Maxwell disse a Blanche que nunca viu Trump receber uma massagem ou envolver-se em outras actividades inadequadas.

“No que me diz respeito, o presidente Trump sempre foi muito cordial e gentil comigo”, disse Maxwell, de acordo com a transcrição. “E só quero dizer que admiro a extraordinária conquista da actual presidência”.

Venezuela. Subiu para 89 o número de estrangeiros detidos por motivos políticos, segundo ONG

O número de estrangeiros presos por motivos políticos na Venezuela subiu para 89, segundo dados divulgados esta sexta-feira pela organização não-governamental (ONG) Fórum Penal (FP).

“Presos políticos na Venezuela, com nacionalidade estrangeira: 89” explica o FP, sem precisar as nacionalidades de estes cidadãos.

Segundo a ONG, em 4 de agosto a Venezuela tinha 83 estrangeiros presos por motivos políticos no país.

Os dados foram divulgados depois de na quarta-feira o presidente do Parlamento venezuelano, Jorge Rodríguez, advertir, durante uma sessão extraordinária, que as autoridades vão deter os estrangeiros que entrem no país sem autorização.

“Portanto, seja quem for o estrangeiro que entre neste país sem autorização, entra, mas não sai, fica aqui. Fica preso, ou fica como ficar, mas fica”, disse Jorge Rodríguez.

Nessa mesma sessão Jorge Rodríguez argumentou que a Venezuela é o país do continente americano com mais vitórias no combate ao tráfico de droga, após Washington enviar para águas caribenhas navios com 4.000 soldados numa operação contra cartéis narcotraficantes.

Segundo fontes da comunidade portuguesa local, estão presos por motivos políticos pelo menos três luso-venezuelanos, o último deles o médico radiologista Manuel Enrique Ferreira, radicado em Barquisimeto, estado de Lara, e que foi “chefe do comando de campanha” de Maria Corina Machado às eleições presidenciais de 28 de julho de 2024, em que a oposição reivindica vitória.

Este médico luso-venezuelano foi detido em 19 de julho último nas proximidades do Centro Clínico Valentina Canabal, no estado de Lara (260 quilómetros a oeste de Caracas) e posteriormente levado para Caracas.

Fontes da comunidade médica local explicaram à agência Lusa que o luso-venezuelano foi obrigado, “por homens armados sem identificação e sem apresentarem uma ordem judicial”, a subir para uma viatura.

Segundo o FP, em 18 de agosto de 2025 a Venezuela tinha 815 pessoas presas por motivos políticos, das quais 717 são homens, 98 mulheres, 646 civis e 169 militares.

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Governo diz ser extemporânea discussão sobre modelo da Proteção Civil

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O secretário de Estado da Proteção Civil considerou esta sexta-feira extemporânea a discussão sobre o sistema de Proteção Civil, realçou que o empenho ainda é no combate aos incêndios e que este dispositivo tem dado respostas muito positivas.

“Neste momento julgo que é extemporâneo porque nós temos que funcionar com o modelo que temos. Não é o momento para estarmos a discutir esse modelo e, portanto, no seu tempo, que será no final deste dispositivo, com certeza que todos iremos ter a disponibilidade máxima para, de acordo com os contributos de alguns e ouvindo também muitas opiniões, de decidirmos naquela que é a solução do Governo para essa organização”, afirmou Rui Rocha.

O governante falava aos jornalistas, em Vila Real, onde se reuniu com as corporações de bombeiros e com o presidente da câmara e depois de ouvir o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, reafirmar que defende uma reorganização do modelo da Proteção Civil para comandos distritais, em vez dos atuais comandos sub-regionais.

“Ainda temos várias ocorrências, ainda hoje mais uma série delas. E, portanto, neste momento e até ao final do dispositivo, nós temos de estar empenhados e focados em dar a melhor e a maior resposta possível”, realçou o secretário de Estado.

Rui Rocha lembrou ainda que a reorganização do modelo da Proteção Civil está no programa do Governo, mas reforçou que a discussão é extemporânea.

“Apesar de, como tem sido referenciado, nem tudo está a acontecer como gostaríamos, é de facto de realçar que este dispositivo tem dado respostas muito positivas”, frisou.

Chegado o tempo, acrescentou, será feita essa avaliação e com certeza que o Governo “irá atuar”.

“Nós não descansaremos enquanto não convencermos o atual Governo de que essa é uma boa solução e uma melhor solução para a defesa das nossas populações”, afirmou, por sua vez, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, António Nunes, referindo-se à antiga organização por comandos distritais.

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O secretário de Estado iniciou esta sexta-feira em Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, e em Vila Real, um périplo por concelhos afetados por grandes incêndios para anunciar a agilização do pagamento de 50 mil euros às corporações de bombeiros por enfrentarem “despesas extraordinárias”.

“Ou seja, no que diz respeito designadamente à alimentação e a combustíveis, que são dois dos elementos muito significativos no teatro de operações, e também até na agilização de alguns processos de reparação de viaturas para que, no mais curto espaço de tempo, possam ser ressarcidos e, portanto, não ter também, desse ponto de vista, nenhum obstáculo àquilo que é a sua normal atividade”, explicou.

Rui Rocha fez questão de garantir às corporações “mecanismos agilizados para que possa ser feito o ressarcimento dessas despesas o mais rapidamente possível” pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).

Para a Liga dos Bombeiros Portugueses, esta medida é uma “inovação” que permite às corporações “socorrerem-se de um fundo de maneio que têm que justificar ‘a posteriori’, apresentando a documentação necessária”.

António Nunes referiu ainda que o governante, na reunião em Vila Real, garantiu que, “a curto prazo, a primeira intervenção deve ser o mais profissionalizada possível”.

O presidente da ANEPC, José Manuel Moura, também esteve presente nas reuniões desta sexta-feira.

O presidente da Câmara de Vila Real, Alexandre Favaios, falou sobre a necessidade de, numa fase posterior ao combate aos incêndios, se fazer “uma avaliação profunda” sobre o que correu menos bem, nomeadamente no seu concelho, onde o fogo teve início em 2 de agosto, esteve em conclusão, sofreu reativações fortes e foi concluído no dia 13, depois de queimar cerca de 6.000 hectares.

O autarca defendeu alterações, nomeadamente em termos legislativos, mas também alterações ao nível da política de ordenamento do território.

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Centro para a IA Responsável quer afirmar Portugal como referência europeia

O Centro para a inteligência artificial (IA) Responsável autonomizou-se como associação em maio e tem como objetivo consolidar a sua posição como impulsionador na área e afirmar Portugal como referência europeia, disse esta sexta-feira à Lusa fonte oficial.

O Centro para a IA Responsável tem como presidente executivo (CEO), Paulo Dimas, que foi vice-presidente da Unbabel, tecnológica portuguesa que foi comprada pela norte-americana TransPerfect, fornecedora mundial de soluções linguísticas e de IA para negócios globais.

A decisão de autonomizar a associação sem fins lucrativos em maio deste ano “pretende consolidar a posição do Centro como impulsionador da área de IA Responsável e reforçar a sua capacidade para desenvolver novas iniciativas que afirmem Portugal como referência europeia nesta área”, disse a mesma fonte.

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