Hungria e Eslováquia pedem ajuda à UE e EUA após sabotagem de oleodutos russos

Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra na Ucrânia.

Hungria e Eslováquia advogaram esta sexta-feira que a sabotagem ucraniana de um oleoduto russo que fornecia os dois países vai deixá-los sem acesso a petróleo durante dias, pedindo à Comissão Europeia medidas concretas e ajuda aos Estados Unidos.

Em comunicado conjunto, os ministérios dos Negócios Estrangeiros húngaro e eslovaco advertiram a Comissão Europeia, especificamente a alta representante da União Europeia (UE) para a diplomacia e Política de Segurança, Kaja Kallas, e ao comissário da Energia, Dan Jørgensen, que em apenas três semanas o oleoduto foi sabotado “três vezes”.

“Agora, as entregas de petróleo à Hungria e à Eslováquia ficarão interrompidas durante pelo menos cinco dias”, denunciaram.

Os dois governos exigiram ao executivo de Ursula von der Leyen medidas concretas para assegurar a segurança energética, já que o oleoduto Druzhba “é indispensável para o abastecimento” daqueles países.

Sem o oleoduto, o abastecimento de petróleo nos nossos países é fisicamente impossível, sabotagens como estas são um ataque direto e inaceitável à nossa segurança energética“, reclamaram.

A sabotagem ucraniana aumentou de intensidade com os bombardeamentos de parte a parte contra infraestruturas energéticas.

[Um homem desobedece às ordens dos terroristas e da polícia e entra sozinho na embaixada. Momentos depois, ouve-se uma enorme explosão“1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto a embaixada turca em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o quarto episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube MusicE ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]

A Rússia bombardeou em várias ocasiões, desde o início da invasão, há mais de três anos, infraestruturas de gás e responsáveis pelo aquecimento de habitações.

A Ucrânia retaliou com bombardeamentos a refinarias e oleodutos russos.

Os dois países, que são as forças de bloqueio dentro da UE ao apoio à Ucrânia, também olharam para o outro lado do Atlântico e pediram a intervenção de Washington.

Desta vez, o apelo subiu de tom e foi dirigido ao Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump.

Os EUA estão a mediar a mais recente tentativa de negociações entre a Ucrânia e a Rússia.

A resposta de Donald Trump alegadamente não tardou e o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, partilhou uma suposta nota manuscrita de Trump, na qual dizia que estava “muito chateado” com o corte do abastecimento de petróleo na sequência da sabotagem ucraniana.

“Não gostei de saber isso”, consta da nota partilhada pelo primeiro-ministro da Hungria.

Depois de criticar inação de políticos nos incêndios, André Ventura publica vídeo a apagar fogo em Castelo Branco

O presidente do Chega, André Ventura, publicou nas redes sociais um vídeo onde tenta apagar chamas junto a uma árvore em Castelo Branco. “Um líder tem de estar ao lado do seu povo. A terra está a arder”, publicou o político, remetendo para as críticas que tem tecendo aos restantes responsáveis políticos nesta época de incêndios em Portugal.

“A desolação, a raiva, a frustração. Nunca vou esquecer o que vi e o que senti nesta visita ao distrito de Castelo Branco”, escreveu o deputado, na rede social X, referindo que “é preciso defender Portugal, custe o que custar!”

Estas novas imagens chegam um dia após Ventura e outros membros do partido terem entregue mantimentos e águas ao quartel dos Bombeiros Voluntários do Fundão. Nesta visita, o presidente do Chega criticou o Governo pela “gestão desastrosa” do combate aos incêndios, apelando aos restantes partidos e líderes políticos para irem ao terreno.

“Todos temos o dever de fazer alguma coisa. Esta ajuda do Chega não vai resolver o problema, mas é o melhor exemplo que podemos dar e apelo a que partidos, associações e líderes políticos, façam, alguma coisa”, disse André Ventura aos jornalistas após descarregar embalagens de águas, sumos e alguns alimentos.

Já na quarta-feira, Ventura mostrara imagens de momentos a angariar recursos para distribuir aos bombeiros que se encontram no terreno a combater as chamas que reinam no norte e centro do país: no vídeo, vê-se o líder do Chega a angariar “paletes de água e barras de cereais”, em conjunto com outros deputados do partido.

“Estivemos a juntar bebidas e alimentos para entregar aos bombeiros. Claro que precisam de muito mais, claro que isto é uma gota no oceano, mas se cada um fizer a sua parte, somos mais fortes”, escreveu André Ventura, um dia antes de se ter deslocado até ao Fundão.

Se tiver uma história que queira partilhar sobre irregularidades na sua autarquia, preencha este formulário anónimo.

Israel rejeita “Estado terrorista jihadista” na Cisjordânia

Israel rejeitou, esta sexta-feira, uma “tentativa externa de impor um Estado terrorista jihadista no coração de Israel”, referindo-se ao apelo de 21 países e da União Europeia (UE) para retirar o plano de novos colonatos na Cisjordânia.

Na quinta-feira, 21 Estados, incluindo Portugal, e a alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros apelaram para o abandono urgente do projeto de construção de novos colonatos que dividirão a Cisjordânia ocupada.

Em resposta, a diplomacia israelita considerou em comunicado inaceitável que governos estrangeiros falem “em nome do bem comum” e reivindicou o “direito histórico dos judeus de viver em qualquer lugar da Terra de Israel”.

O projeto prevê mais de três mil casas em território palestiniano ocupado e é ilegal à luz do Direito internacional.

Ao aprovar esta construção, Israel procura ligar o colonato de Ma’ale Adumim — fundado há cerca de 30 anos e onde vivem atualmente cerca de 40 mil colonos — a Jerusalém, dividindo a Cisjordânia e dificultando ainda mais a viabilidade de um futuro Estado palestiniano.

Os planos para estes colonatos estavam suspensos há duas décadas devido à forte oposição dos Estados Unidos e da comunidade internacional.

Na sua declaração conjunta divulgada na quinta-feira, que inclui França e Reino, as duas dezenas de ministros dos Negócios Estrangeiros e a chefe da diplomacia europeia consideraram o plano de construir novos colonatos junto de Jerusalém inaceitável e instaram Israel, “nos termos mais veementes”, a revertê-lo de imediato.

Os signatários afirmam condenar esta decisão e apelam à sua “reversão imediata nos termos mais veementes”.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

O ministro das Finanças e colono israelita, Bezalel Smotrich (extrema-direita), confirmou na quinta-feira a decisão da Administração Civil israelita, comentando que “apaga na prática a ilusão de ‘dois Estados’ e consolida o controlo do povo judeu sobre o coração da Terra de Israel”.

No comunicado, os chefes da diplomacia e a UE fazem referência a estas declarações do ministro israelita — que, a par do seu colega da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, também de extrema-direita — estão impedidos de entrar nos Países Baixos e na Eslovénia.

“O ministro Smotrich diz que este plano tornará impossível uma solução de dois Estados, dividindo qualquer Estado palestiniano e restringir o acesso palestiniano a Jerusalém. Isto não traz benefícios para o povo israelita”, avisam.

Em vez disso, advertem, a expansão dos colonatos “corre o risco de minar a segurança e de fomentar mais violência e instabilidade, afastando-nos ainda mais da paz”.

A posição do Governo de Benjamin Netanyahu surge cerca de um mês antes da Assembleia-Geral das Nações Unidas, na qual alguns países, incluindo França, Reino Unido, Canadá e Portugal, pretendem reconhecer o Estado da Palestina.

​Putin vê “luz ao fundo do túnel”: Rússia e EUA discutem projetos conjuntos no Ártico e Alasca

O Presidente russo afirmou esta sexta-feira que vê “uma luz ao fundo do túnel” nas relações entre a Rússia e os Estados Unidos. Vladimir Putin revela que os dois países estão a discutir possíveis projetos conjuntos no Ártico e no Alasca.

Durante uma visita a um centro de investigação nuclear, Putin respondeu a perguntas dos jornalistas e mostrou-se otimista quanto ao futuro das relações bilaterais, elogiando a liderança do Presidente norte-americano, Donald Trump.

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“Com a chegada do Presidente Trump, penso que finalmente surgiu uma luz ao fundo do túnel. E tivemos agora um encontro muito bom, substancial e franco no Alasca”, disse o líder russo, referindo-se à cimeira da semana passada, em Anchorage.

“O próximo passo depende agora da liderança dos Estados Unidos, mas estou confiante de que as qualidades de liderança do atual presidente, o Presidente Trump, são uma boa garantia de que as relações serão restabelecidas.”

As declarações de Putin refletem o otimismo do Kremlin de normalizar as relações com Washington e avançar com parcerias económicas, apesar da ausência de avanços concretos no conflito na Ucrânia, tema central da cimeira de 15 de agosto.

O Presidente russo não detalhou os moldes da cooperação prevista com os EUA no Ártico, mas destacou o potencial económico da região. “Existem reservas minerais enormes, enormes”, afirmou, mencionando a empresa russa de gás natural liquefeito Novatek, já a operar na zona.

“Estamos a discutir, aliás, com parceiros norte-americanos, a possibilidade de trabalharmos juntos nesta área. E não apenas na nossa zona do Ártico, mas também no Alasca. Ao mesmo tempo, as tecnologias que possuímos hoje não são detidas por mais ninguém. E isso desperta o interesse dos nossos parceiros, incluindo os dos Estados Unidos”, acrescentou.

“Não há fome, nunca houve fome e ninguém morreu de fome em Gaza”: embaixador de Israel em Portugal rejeita relatório da ONU

Em entrevista à Grande Edição, da SIC Notícias, Oren Rozenblat, embaixador de Israel em Portugal, rejeita as conclusões do relatório da ONU, negando a existência de fome e de mortes por desnutrição naquele enclave palestiniano.

“Não há fome, nunca houve fome e ninguém morreu de fome em Gaza. Podemos ver crianças magras, mas é porque são doentes graves”, começou por dizer o diplomata israelita, criticando os dados apresentados no relatório.

Oren Rozenblat recorre ao Direito Internacional Humanitário para referir que Israel não tem a obrigação de prestar ajuda, mas sim de permitir a entrada de ajuda humanitária.

“Esta é a primeira guerra no mundo em que um lado precisa de ajudar o outro com comida. Nós fizemo-lo pela nossa ética, não pela Lei Internacional Humanitária”, apontou.

Na quinta-feira, 21 Estados, incluindo Portugal, e a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros apelaram ao abandono urgente do projeto de construção de novos colonatos, que dividirão a Cisjordânia ocupada.

O diplomata israelita rejeita a declaração sobre a aprovação de um plano de construção junto a Jerusalém e reivindica o “direito histórico dos judeus de viver em qualquer lugar da Terra de Israel”.

Temperatura do mar bate recorde – não é um pormenor para a Terra

90% do calor do planeta é absorvido pelas águas, o que evita que a temperatura dispare de vez. Mas o limite estará próximo de ser superado. O fenómeno não e novo mas está a acumular-se: as temperaturas nos oceanos estão a subir, a atingir recordes. Em 2022 as temperaturas do Mediterrâneo já tinham aumentado entre 3 e 5 graus acima do normal, comparando com o Verão nos anos anteriores, e chegaram aos 30 graus. No ano seguinte, a temperatura média da superfície dos oceanos atingiu um recorde de 20,96 ºC – ultrapassou o recorde anterior de 20,95ºC registado em Março

Vários mortos e feridos em acidente com autocarro turístico no estado de Nova Iorque

Um número indeterminado de pessoas morreram e outras ficaram feridas num acidente com um autocarro de turismo, que capotou quando regressava das Cataratas do Niágara para Nova Iorque, Estados Unidos, anunciou a polícia.

“Neste momento, temos várias mortes, vários encarceramentos e vários feridos”, disse o polícia James O’Callahan, porta-voz da polícia do estado de Nova Iorque, citado pela agência norte-americana Associated Press (AP).

“Há vários feridos graves e, como acaba de ser anunciado pela polícia do estado de Nova Iorque, várias mortes”, corroborou o superintendente do condado de Erie, Mark Poloncarz, na rede social X.

O autocarro transportava cerca de 50 pessoas, que foram projetadas para o exterior quando as janelas se estilhaçaram.

Ainda são desconhecidas as causas do acidente, que ocorreu na estrada I-90, perto de Pembroke, que fica a cerca de 40 quilómetros a leste de Buffalo. Fotos tiradas por transeuntes no local mostraram um autocarro capotado, junto à autoestrada.

Várias ambulâncias e helicópteros médicos transportaram as vítimas.

Uma testemunha que passou de carro pelo local do acidente relatou ao The Buffalo News que “as janelas estavam todas estilhaçadas” e que “havia vidros por toda a estrada e pertences espalhados”.

A governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, escreveu na rede X que foi informada sobre “o trágico acidente com o autocarro de turismo” e que o seu gabinete estava a trabalhar com a polícia e as autoridades locais.

O serviço de transporte médico aéreo Mercy Flight informou que os seus três helicópteros transportavam pessoas do local do acidente para hospitais da região.

Não houve informações oficiais sobre quantas pessoas ficaram feridas, embora o Erie County Medical Center, um hospital de Buffalo conhecido como ECMC, tenha informado que havia pelo menos oito pacientes às 14:10 locais (19:10 em Lisboa).

Três outros helicópteros de outros serviços estavam a ser chamados ao local, bem como ambulâncias de várias agências locais, disse a presidente da Mercy Flight, Margaret Ferrentino.

A Autoridade Rodoviária do Estado de Nova Iorque informou que um longo troço da autoestrada foi encerrado em ambas as direções e que os condutores estavam a ser aconselhados a evitar a zona.

Zelensky quer garantias de segurança para a Ucrânia comparáveis ao Artigo 5.º da NATO

O Presidente ucraniano exigiu esta sexta-feira garantias de segurança comparáveis ao artigo 5.º da NATO, sobre defesa coletiva, no âmbito de um eventual acordo de paz com a Rússia.

Volodymyr Zelensky, que recebeu em Kiev o secretário-geral da Aliança Atlântica, Mark Rutte, pediu garantias eficazes, “como as do Artigo 5.º do Tratado da NATO“, segundo o qual um ataque a um Estado-membro é considerado um ataque a todos os países da organização.

É o resultado que precisamos de alcançar” nas negociações em curso com os aliados da Ucrânia, defendeu, numa conferência de imprensa ao lado do líder da NATO, acrescentando que ainda está por definir que países da chamada Coligação das Vontades vão contribuir e qual o tipo de apoio, nomeadamente se será por terra, ar ou mar ou fornecendo financiamento ao exército.

Mais tarde, numa publicação na rede social X, Zelensky agradeceu a presença de Mark Rutte na Ucrânia, afirmando que, na reunião, foram discutidos “os próximos passos conjuntos que podem proporcionar à Ucrânia e a toda a Europa maior segurança e aproximar o fim real da guerra”.

Por seu turno, Mark Rutte garantiu que a aliança militar e os Estados Unidos estarão envolvidos nas garantias de segurança à Ucrânia, que descreveu como uma “segunda camada”, depois daquela que considera ser prioritária: as Forças Armadas Ucranianas.

O secretário-geral da NATO sublinhou que estão em curso trabalhos para definir garantias de segurança robustas para assegurar que a Rússia respeita um futuro acordo de paz. “Será essencial ter garantias de segurança sólidas, e é isso que estamos a tentar definir agora”, disse.

[Governo decide que é preciso invadir a embaixada para pôr fim ao sequestro. É chamada uma nova força de elite: o Grupo de Operações Especiais. “1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto uma embaixada em Lisboa e esta execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. Ouça no site do Observador o quinto episódiodeste podcastplus narrado pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Também o pode escutar na Apple Podcasts, no Spotify e no YoutubeMusic. E ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

A ideia é que, se e quando a cimeira entre Zelensky e o Presidente russo, Vladimir Putin, se realizar, o líder ucraniano “possa contar com o apoio inequívoco dos amigos da Ucrânia, garantindo que a Rússia respeitará qualquer acordo”.

“Estamos a trabalhar em conjunto — Ucrânia, europeus e Estados Unidos — para garantir que as garantias de segurança são tais que Vladimir Putin, em Moscovo, nunca mais tente atacar a Ucrânia”, acrescentou.

Durante a visita de Rutte à capital ucraniana, soou um alerta de ataque aéreo, noticiou a agência France-Presse. A administração militar de Kiev pediu aos residentes que procurassem abrigo devido à “ameaça” de lançamentos de mísseis balísticos por parte da Rússia. logo após a conferência de imprensa de Zelensky e Rutte.

Morreu Eduardo Serra: “Só quero fazer filmes que possa ver como espectador”

Eduardo Serra, o mais internacional dos diretores portugueses de fotografia, que morreu na terça-feira aos 81 anos, dizia que o seu trabalho com a luz e a imagem servia para ajudar o espectador a entender a história de um filme.

“O que tento é criar sentido com as imagens. É importante compreender quais são os elementos dramáticos. O que vou iluminar, as imagens que vou criar [sobre o trabalho de outros] devem levar o público a entender o argumento. Não me interessa fazer uma coisa que seja bonita“, afirmou Eduardo Serra numa entrevista ao jornal Público, em 2009.

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Nesse ano, Eduardo Serra vivia um pico de popularidade entre o público português, por causa das duas nomeações para os Óscares – o único português a consegui-lo até então -, com os filmes “Asas do Amor” (1997) e “Rapariga com Brinco de Pérola” (2003), e por se saber que iria trabalhar nos dois últimos filmes da saga “Harry Potter” (2010-2011).

No entanto, quando teve esse reconhecimento público, Eduardo Serra contava mais de trinta anos de carreira atrás das câmaras, aplicando a filosofia de que uma boa fotografia em cinema é aquela que “ajuda à compreensão do filme, que acrescenta emoção à história, que a torna mais legível”, afirmou em 2004 ao Jornal de Letras.

Eduardo Serra nasceu a 2 de outubro de 1943, em Lisboa, filho único de uma família de origens modestas, que vivia perto do Instituto Superior Técnico – “o símbolo da ascensão social” -, onde ingressou num curso de engenharia.

Eduardo Serra, estudante universitário, nunca chegaria a terminar o curso, já embrenhado nas atividades dos cineclubes de Lisboa e, embora de forma discreta, nas lutas académicas de 1962.

Morreu Eduardo Serra, diretor de fotografia português nomeado para Óscares

Ao jornal Público contou que chegou a juntar-se ao Partido Comunista Português, mas nunca foi “um bom militante” e em 1963 partiu para Paris. “Houve razões políticas e militares que tornaram urgente a minha partida”, disse ao Expresso em 2004.

“Do ponto de vista cinematográfico, não devo nada a Portugal”

Em Paris, tentou entrar no Instituto de Estudos Superiores Cinematográficos, mas acabou por se formar na Escola Nacional de Fotografia e Cinematografia, onde obteve os primeiros estudos em direção de fotografia. Também fez igualmente o curso de História de Arte e Arqueologia na Sorbonne.

A primeira década profissional no cinema foi como assistente de câmara em algumas dezenas de produções, trabalhando com Alain Cavalier, Patrice Leconte, François Leterrier, alguns dos realizadores com os quais voltaria a colaborar como diretor de fotografia.

Com dupla nacionalidade, portuguesa e francesa, fazendo de Paris a sua casa, Eduardo Serra regressaria a Portugal já depois da revolução de 25 de Abril de 1974 para filmar, num dos raros momentos enquanto realizador, a curta-metragem “Un Anniversaire” (1975).

No passado mês de julho, a propósito de uma retrospetiva dedicada a Eduardo Serra, a Cinemateca Portuguesa escrevia que este filme “celebra o primeiro ano do 25 de Abril e, em particular, acompanha as primeiras eleições livres, para a Assembleia Constituinte, a partir das experiências dos trabalhadores agrícolas de três aldeias do distrito de Beja”.

A estreia de Eduardo Serra como diretor de fotografia em Portugal deu-se pela mão de José Fonseca e Costa, em 1982, com o filme “Sem Sombra de Pecado”.

“Do ponto de vista cinematográfico, não devo nada a Portugal. Devo muito ao Fonseca e Costa, mas nada a Portugal. Era um filme a que, no estado em que estava a minha carreira, eu ainda não teria acesso. Ele apostou em mim e isso foi decisivo para a minha carreira, mesmo em França”, contou ao jornal Público em 2002.

Voltaria a trabalhar com Fonseca e Costa em “A Mulher do Próximo” (1988) e com pouco mais realizadores portugueses: João Mário Grilo em “O Processo do Rei” (1989), Luís Filipe Rocha, em “Amor e Dedinhos de Pé” (1991), Fernando Lopes, em “O Delfim” (2001).

“Só quero fazer filmes que possa ver como espectador”

Eduardo Serra ganhou prestígio internacional sobretudo em França, de onde fez a ponte com Londres e, do outro lado do Atlântico, com Hollywood, sublinhando, ainda assim, prudência na escolha dos projetos.

“Não quero entrar no sistema de fazer filmes para ganhar a vida. Só quero fazer filmes que possa ver como espectador”, disse na mesma entrevista ao Público em 2002.

Trabalhou sobretudo com os franceses Claude Chabrol e Patrice Leconte, com os quais fez mais de uma dezena de filmes, mas também com os britânicos Michael Winterbottom e Iain Softley e os norte-americanos M. Night Shyamalan ou Edward Zwick.

Em 1998 esteve nomeado para os Óscares com “Asas do Amor”, de Iain Softley, num ano em que “Titanic”, de James Cameron, arrasou a concorrência com onze estatuetas. No Reino Unido, Serra venceu o BAFTA de melhor direção de fotografia.

Em 2004, voltaria a ser nomeado para os Óscares pela fotografia de “Rapariga com Brinco de Pérola”, de Peter Webber. Apesar de não ter ganho, não faltaram elogios à forma como recriou os ambientes da época setecentista de Delft (Países Baixos) e a luz dos quadros do neerlandês Johannes Vermeer.

Nomeações para os Óscares “facilitam a vida”

Numa conferência de imprensa em Lisboa, em 2004, Eduardo Serra relativizava o reconhecimento e as nomeações para os Óscares: “Têm um valor simbólico único, facilitam a vida e dão um crédito indiscutível nos Estados Unidos e no Reino Unido”.

A verdade é que, na década seguinte, juntaria ao currículo a participação num “blockbuster” de entretenimento, os dois últimos filmes da saga “Harry Potter”, realizados por David Yates.

“Chego a casa, telefonam-me [e perguntam], “Queres fazer os dois últimos Harry Potter por um orçamento de 450 milhões de dólares”? Tecnicamente há tudo, todas as gruas, todas as técnicas, seja o que for é utilizado, temos todos os brinquedos”, recordou Eduardo Serra, em 2010 à agência Lusa.

Depois desses filmes, Eduardo Serra ainda trabalhou com Glenio Bonder em “Belle du Seigneur” (2012) e “A primise” (2013), de Patrice Leconte.

Em 2014, foi distinguido com prémios de carreira pela Sociedade de Diretores de Fotografia dos Estados Unidos e pela Academia Portuguesa de Cinema.

Foi ainda agraciado com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique (2004), pelo então presidente da República Jorge Sampaio, e com o grau de Grande-Oficial, da mesma ordem, em 2017, pelo chefe de Estado Marcelo Rebelo de Sousa.

Eduardo Serra era ainda membro honorário da Associação de Imagem Portuguesa, segundo a qual um diretor de fotografia é “responsável pela qualidade artística e técnica da imagem do filme”.

Este ano, a Cinemateca Portuguesa lembrou que Eduardo Serra “foi o mais internacional dos diretores de fotografia portugueses”.

Na retrospetiva que lhe dedicou foram mostrados “três filmes raros” em que “deixou de lado a direção de fotografia para se sentar na cadeira de realizador”: “Un Anniversaire” (1975), “Rink-Hockey – Le Hockey sur Roulettes” (1982) e “Cinéma portugais – Un Mode d”Emploi” (1990).

Jaime Faria perde no qualifying para o US Open

O tenista português Jaime Faria falhou o apuramento para o quadro principal do Open dos Estados Unidos, ao perder em dois sets com o francês Ugo Blanchet, na terceira e última ronda de qualificação.

Jaime Faria, número 118 do mundo, foi derrotado em uma hora e 33 minutos pelo 184.º do ranking ATP, pelos parciais de 7-5 e 6-4, seguindo os passos do compatriota Henrique Rocha, que, pouco antes, tinha sido afastado no ‘qualifying’, pelo italiano Francesco Passaro.

Desta forma, Nuno Borges, que teve entrada direta, será o único tenista português a participar no quadro principal de singulares em Nova Iorque, que arranca no domingo.

Além do número um nacional e 42.º da hierarquia mundial, Portugal estará também representado na variante de pares, com Francisco Cabral, que vai fazer dupla com o austríaco Lucas Miedler no último ‘major’ da temporada.

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