Montserrat Aguilar (1974-2025), morte ao sol

De Montserrat Aguilar sabe-se muito pouco, quase nada. Como frequentemente sucede aos que não são bafejados pela fortuna ou pela fama, o ponto mais notório da sua vida, que a fez ser merecedora de notícias pelo mundo fora, é apenas e tão-somente o facto de ter morrido, e de ter morrido jovem, aos 51 anos. Quanto ao mais, ignora-se o que terá feito nessas suas cinco décadas de existência terrena, o local preciso onde nasceu, que amores e desamores terá tido, que estudos fez ou não fez, onde passava as férias, quais os pratos favoritos.

Ao certo, sabe-se que não tinha marido nem filhos, que morava com a mãe, de 85 anos, no bairro de Poblesenc, que cantava num coro e que há três anos trabalhava para uma empresa do grupo FCC — Medio Ambiente, o concessionário do serviço de limpeza e higiene urbana do município de Barcelona.

Tinha a seu cargo a zona do Bairro Gótico e, no passado dia 28 de Junho, sábado, fez a limpeza de um quadrilátero formado por Via Laietana, Calle Fontanella, Portal de l’Àngel e Calle Sagristans, no coração da capital catalã.

Começou o turno às 14h30, no pico do calor, com temperaturas acima dos 35º, e terminou-o por volta das 21h30.

A meio do turno, segundo a sua irmã, ter-se-á queixado do calor a uma encarregada da empresa que passava de carro no local, dizendo-lhe que estava a sentir-se mal, com dores no peito, as pernas pesadas. A encarregada ter-lhe-á dito para beber uma garrafa de água.

À noite, quando chegou a casa, enviou uma mensagem por WhatsApp a uma amiga que lhe perguntara como estava a lidar com a vaga de calor que assolava Espanha. Pedia desculpas por só responder àquela hora, dizendo que tivera “uma tarde muito má.” “Pensei que ia morrer, tive dores nos braços, no peito e no pescoço, cãibras, estive em Capellans” [nome de uma rua perto da catedral de Barcelona].

Depois, pediu à mãe que lhe servisse o jantar, pois não estava a sentir-se bem. À primeira colherada de puré de batata, tombou para o lado, inanimada. Ao ouvirem o estrondo no andar de cima, os vizinhos pensaram que a idosa dera uma queda e, quando lá foram, ainda tentaram reanimar Montserrat antes da chegada da ambulância. Em vão. Montserrat Aguilar morreria nos braços da sua mãe.

Antes mesmo de conhecer os resultados da autópsia, a família manifestou revolta pelo comportamento da empresa e do município de Barcelona, cujo director de higiene urbana, Carlos Vázquez, começou por negar que tivesse havido qualquer negligência por parte da edilidade, razão pela qual, acrescentou, não iria ser aberto um inquérito. “Há coisas que não sabemos e que talvez nunca venhamos a saber”, justificou-se. Horas depois, porém, o município anunciou que iria abrir um processo contra a FCC para apurar as circunstâncias concretas da jornada de trabalho de Montserrat Aguilar.

A irmã, Clara Aguilar, numa emocionada conferência de imprensa, questionando muitos dos procedimentos do grupo FCC, nomeadamente o uso de uma farda de trabalho 100% em poliéster, material impróprio para o calor intenso, e o facto de a encarregada da empresa não ter atendido às queixas de Montserrat a meio daquela tarde fatídica. Quando dispuser dos resultados definitivos da autópsia, a família pondera processar o município de Barcelona e a empresa concessionária da sua higiene urbana.

A morte de Montserrat Aguilar, uma modesta varredora de rua, foi notícia, imagine-se, da revista Fortune, da Bloomberg e, curiosamente, do Insurance Journal, uma publicação especializada na cobertura de riscos, a prova provada de que, no mundo do capital, há quem esteja muito atento e muito preocupado com as alterações climáticas: as empresas seguradoras, as que mais lidam e percebem de catástrofes e de grandes perigos. Elas lá sabem.

A morte de Montserrat motivou também as habituais correntes de indignação nas redes sociais, com uma página no Instagram a proclamar “Somos todos Montse”. Numa reunião extraordinária da autarquia barcelonesa, a oposição responsabilizou o executivo camarário e exigiu medidas urgentes, enquanto nas ruas se manifestavam os trabalhadores de limpeza da cidade, com os delegados sindicais a informarem que, nos últimos cinco anos, houve 16 inspecções contra a empresa FCC devido às condições laborais em situações de calor extremo. Só este ano, e além do caso fatal de Montserrat Aguilar, oito trabalhadores tiveram de receber assistência médica por golpes de calor nas horas de serviço. O município, por seu lado, referiu que este ano já teve 20 incidências laborais relacionadas com o calor.

Com os dados de que dispomos (falta a autópsia judicial), tudo indicia que Montserrat foi mais uma das muitas vítimas das sucessivas vagas de calor que têm atingido a Europa neste Verão. Antes dela, e entre tantos outros exemplos, um homem de 58 anos morreu em Córdova, no passado 23 de Junho, quando afixava um cartaz sob um sol abrasador.

Entre 16 de Maio e 13 de Julho, Espanha já tinha registado 1180 mortos por temperaturas extremas, um aumento de 1035% relação ao período homólogo do ano anterior. Em Portugal, até 1 de Agosto, o excesso de mortalidade cifrava-se em 264 óbitos. Segundo o serviço Copernicus, Julho de 2025 foi o terceiro mês mais quente desde que existem registos.

No passado 8 de Julho, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou uma proposta do PAN para proteger os trabalhadores da autarquia nos períodos de calor extremo. O PCP votou contra porque não havia referência a negociações com os sindicatos. E o Chega votou igualmente contra porque, segundo a deputada Patrícia Branco, tudo não passava de uma “nova lengalenga sobre as alterações climáticas”.

Nova aposta da Netflix: ver séries de acordo com o horóscopo

A Netflix apresentou esta semana a funcionalidade Your Zodiac Watchlist, um centro de navegação baseado nos signos do zodíaco, avança a revista “Variety”.

A nova ferramenta permite aos utilizadores explorarem o catálogo da plataforma de acordo com as características associadas ao seu signo astrológico.

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O novo separador começará a surgir automaticamente nas páginas iniciais dos subscritores ao longo do fim-de-semana, para assinalar o início da temporada de Virgem, que decorre entre 23 de agosto e 22 de setembro.

Cada signo tem direito a uma secção própria, com sugestões personalizadas. A título de exemplo, os Virgens são convidados a ver títulos como “Animal Kingdom”, “The Queen’s Gambit” e “Now You See Me”, enquanto os Escorpiões podem explorar séries como “Wednesday”, “Untamed” e “You”.

A funcionalidade integra-se na estratégia mais ampla da plataforma de lançar coleções temáticas semanais, adaptadas a momentos culturais e tópicos em destaque nas redes sociais.

“Mérito é dos jogadores, interpretam bem a estratégia”: Benfica prolonga recorde sem sofrer golos num início de temporada

Muda o guarda-redes, continua a baliza em branco. Bruno Lage aproveitou a receção ao Tondela para fazer algumas alterações nas opções iniciais entre as estreias de Tomás Araújo e Obrador na equipa principal após terem ganho minutos pela formação B, nova oportunidade para Schjelderup ser titular com uma assistência e a aposta em Ivanovic em dupla com Pavlidis em vez dos três médios que jogaram na Turquia (Florentino Luís foi o “sacrificado”). A par de tudo isso, também Samuel Soares teve hipótese de somar o primeiro encontro oficial da temporada, mantendo as trancas à porta e prolongando um recorde histórico na Luz.

Dedic, o elétrico que faz carburar um carro a gasolina (a crónica do Benfica-Tondela)

O mais importante, que era a vitória, chegou de forma natural por 3-0 frente a um Tondela que pouco ou nenhum perigo conseguiu criar. Com isso, e em seis encontros oficiais, o Benfica soma cinco vitórias (uma a valer troféu na Supertaça) e um empate e ainda não sofreu qualquer golo em 2025/26. Nunca os encarnados tinham mantido a baliza em branco nos primeiros seis jogos da época, sendo que a última série de 540 ou mais minutos sem sofrer remonta a 2020/21 (neste caso, não no início mas no decorrer do ano). Tudo num encontro em que o Benfica marcou pela primeira vez três golos na presente temporada, num total de nove em seis jogos com seis marcadores diferentes, e ficou só com dois totalistas: Otamendi e Richard Ríos.

“Queria deixar uma palavra para os adeptos, fantásticos como sempre. A equipa jogou após 72 horas do jogo da Turquia, uma viagem muito pesada, e o apoio foi fantástico. Tínhamos que ter uma primeira parte com entrada forte e foi isso que fizemos. Foi uma primeira parte de grande qualidade. Podíamos ter alcançado outro resultado, permitimos uma grande exibição ao guarda-redes do Tondela. Devo valorizar também a forma como obtivemos os golos. Na segunda parte, uns por desgaste, outros por falta de ritmo, fomos sentindo e fizemos as alterações. Gerimos a equipa, tentámos que se mantivesse coesa, com o bloco a atacar e a defender. Soubemos controlar. Conseguimos os três pontos e agora é começar já a preparar o jogo de quarta-feira, que é muito importante para nós”, apontou Bruno Lage na flash interview da BTV.

Em paralelo, o técnico dos encarnados valorizou também os seis jogos consecutivos sem golos sofridos. “É o trabalho coletivo, com mérito dos jogadores. Interpretam bem a estratégia. Era fundamental variar a construção, variando também os jogadores para o adversário não ter referências e depois encontrar os caminhos para o golo, procurar laterais por fora e atacar a linha defensiva. O mérito é dos jogadores. O plano da segunda parte era este, de controlo. Fenerbahçe? É fundamental o apoio dos nossos adeptos. Sabíamos o que tínhamos que fazer em agosto, um troféu para conquistar, o acesso à Liga dos Campeões e o principal objetivo que é o Campeonato. Mérito dos adeptos que têm apoiado e dos jogadores pelo empenho”, salientou.

Já Amar Dedic, que foi eleito pela Liga o MVP do encontro, destacou a importância da vitória no contexto competitivo que o Benfica atravessa. “Fico muito contente por ter recebido este prémio mas mais do que tudo pela vitória e pela equipa, por termos ganho que é o mais importante. Estou muito feliz e agradecido, agora continuamos em frente. Fenerbahçe na quarta-feira? Sim, é muito duro, temos muitos jogos, mas estamos prontos para isso. Vamos estar na melhor forma para jogar quarta-feira, é muito importante para nós e para os fãs e mal podemos esperar pelo jogo”, comentou o lateral direito bósnio à BTV.

Incêndios. Chamas em rescaldo perto de povoações evacuadas em Pedrógão Grande

Os incêndios que deflagram este sábado em Pedrógão Grande estão a ser combatidos como tratando-se de “um só”, devido à sua proximidade, e as chamas estão afastadas das povoações evacuadas, rumando em direção ao Zêzere, informou fonte da proteção civil.

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“Na parte dos dois incêndios que estava encostada às localidades, a situação já está resolvida, estamos a consolidar rescaldo, agora existe uma frente extensa em direção ao rio Zêzere”, disse à Lusa o segundo comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Leiria, Ricardo Costa.

O combate a esta frente que consome floresta “é onde incidem os trabalhos durante a noite, que neste momento estão a decorrer favoravelmente”, acrescentou.

O mesmo responsável avançou que os dois incêndios das freguesias de Pedrógão Grande e da Graça, no mesmo concelho do distrito de Leiria, “estão mais menos do mesmo tamanho” e, “como são muito próximos”, estão a ser geridos “como se fosse um único incêndio”.

O comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil de Leiria, Carlos Guerra, afirmou à Lusa que os dois incêndios surgiram com a diferença de cerca de uma hora numa curta distância um do outro, tendo causado projeções que atingiram o concelho vizinho da Sertã, no distrito de Castelo Branco.

O segundo comandante sub-regional confirmou que o incêndio do lado da Sertã “está consolidado”.

As chamas que começaram durante a tarde em São Vicente, na freguesia de Pedrógão Grande, pelas 22:40 mobilizavam 922 operacionais e 292 veículos, agrupando os meios humanos e terrestres do sinistro que deflagrou na Graça.

Segundo a página da internet da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), pelas 18:50 estavam no incêndio da freguesia de Pedrógão 663 operacionais, apoiados por 192 viaturas e 18 meios aéreos, e na Graça estavam 183 operacionais, apoiados por 47 veículos e dois meios aéreos.

Segundo Ricardo Costa, “as povoações estão em segurança” e “partes do” Itinerário Complementar (IC) 8 e da Estrada Nacional (EN) 2 estão “temporariamente cortadas”.

Segundo fonte do Comando Territorial da GNR de Leiria, por precaução foram evacuadas as aldeias de Marroquil, Torneira, Romão, Agria e Sobreiro, na freguesia de Pedrógão Grande, e os moradores foram encaminhados para Derreada Cimeira.

Com estes dois incêndios, a população de Pedrógão Grande voltou hoje a ser surpreendida pelas chamas, oito anos depois dos grandes fogos que atingiram aquele concelho.

Os incêndios que deflagraram em 17 junho de 2017 em Pedrógão Grande e que alastraram a concelhos vizinhos provocaram a morte de 66 pessoas, além de ferimentos a 253 populares, sete dos quais graves. Os fogos destruíram cerca de meio milhar de casas e 50 empresas.

Bispo emérito do Funchal Teodoro de Faria morreu hoje aos 94 anos

O bispo emérito do Funchal, Teodoro de Faria, morreu este sábado, um dia antes de completar 95 anos, revelou a Diocese do Funchal num comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

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“É com profundo pesar que a Diocese do Funchal comunica o falecimento de D. Teodoro de Faria, Bispo Emérito do Funchal, cuja vida foi inteiramente dedicada ao serviço de Deus e do povo madeirense”, refere no comunicado, em que enaltece o seu papel e dedicação à igreja e ao povo da Madeira. .

Teodoro de Faria nasceu na freguesia de Santo António, no Funchal, ilha da Madeira, no dia 24 de agosto de 1930 e foi ordenado sacerdote em 22 de setembro de 1955, na Sé do Funchal. .

O Governo Regional da Madeira e o seu presidente, Miguel Albuquerque, reagiram à notícia desta morte manifestando “profundo pesar”, endereçando “votos de pesar” à família e também “sublinhando a sua gratidão para com os relevantes serviços prestados em nome da região”.

Na nota, sublinha que Teodoro Faria “está entre os madeirenses mais louváveis e destacáveis das últimas décadas, que para além do seu papel na Igreja teve “um percurso assinalável na Cultura, inclusive com vários livros escritos”.

Teodoro de Faria foi bispo do Funchal entre 1982 e 2007, durante 26 anos, após ter estudado na Universidade Gregoriana, em Roma, no Pontifício Instituto Bíblico e na École Biblique et Archeologique de Jerusalém, e ter sido reitor do Pontifício Colégio Português, em Roma, entre 1976 e 1982.

Na Conferência Episcopal Portuguesa, o bispo do Funchal foi presidente da Comissão Episcopal para as Migrações e Turismo e membro da Comissão Pontifícia para os Migrantes e Itinerantes, tendo participado em Roma em diversos congressos.

Também foi representante da Conferência Episcopal Portuguesa na COMECE (Commission des Episcopats de la Communauté Européenne).

A Diocese do Funchal sublinha no comunicado que foi através dos seus esforços que o Papa São João Paulo II visitou a Madeira, em maio de 1991. .

Teodoro de Faria solicitou ao Papa Bento XVI a sua resignação, por limite de idade, em 2006.

Portugal é o segundo país mais engraçado do mundo

O povo mais divertido do mundo são os checos, que muitas vezes exageram nas piadas à sua própria custa e se menosprezam de uma forma divertida. Logo atrás, os portugueses, que gostam de partilhar humor com outras pessoas, não se levam demasiado a sério e conseguem rir-se dos seus erros. O humor funciona como uma ponte universal entre culturas, mas a sua expressão varia de forma marcante em diferentes partes do mundo. Quando visitamos um novo destino ou nos mudamos para o estrangeiro, encontrar pessoas que partilham o nosso tipo de humor pode ser fundamental para criar amizades duradouras e

Arouca e Rio Ave empatam em jogo eletrizante

Um golo nos descontos da segunda parte permitiu ao Arouca empatar em casa a três golos com o Rio Ave, em jogo da terceira jornada da I Liga portuguesa de futebol.

O francês Nais Djouahra fez o empate do Arouca, aos 90+3 minutos, depois de o brasileiro Clayton (48 e 76 minutos) e o croata Dario Spikic (64) marcarem para os vila-condenses, e o espanhol Jose Fontán (24) e o uruguaio Alfonso Trezza (75) fazerem os golos da equipa da casa.

O Rio Ave, que tem em atraso o encontro da primeira jornada, com o Benfica, continua sem vencer e somou o segundo empate em dois jogos, ocupando o 11.º lugar, enquanto o Arouca, que registou o segundo jogo sem perder em casa, passou a somar quatro pontos, no sétimo lugar.

Veja o resumo da partida.

Benfica vence e continua com a baliza a zero

O Benfica derrotou o Tondela, por 3-0, e mantém-se sem sofrer golos esta época em jogos oficiais.

Os encarnados dominaram a partida e os golos foram apontados por Ivanovic, Aursnes e Prestianni num jogo em que o resultado peca por escasso. Pavlidis foi quem mais ocasiões desperdiçou este sábado, mas o grego foi sempre tentando.

Apesar de tudo a primeira parte foi mais entretida que a segunda, onde as águias entraram em modo “gestão”. Bruno Lage fez várias alterações no onze a pensar na Champions da próxima quarta-feira contra o Fenerbahce.

Nota ainda para uma decisão do VAR, que reverteu uma grande penalidade a favor dos forasteiros.

De recordar ainda que a equipa da Luz tem uma partida em atraso no campeonato.

Bruno Lage. “Podíamos ter alcançado outro resultado”

O treinador do Benfica, Bruno Lage, gostou da exibição e da vitória contra o Tondela e lançou a partida contra o Fenerbahce.

Análise

“A equipa jogou após 72 horas do jogo da Turquia, uma viagem muito pesada, e o apoio foi fantástico. Tínhamos que ter uma primeira parte e entrada forte e foi isso que fizemos. Foi uma primeira parte de grande qualidade. Podíamos ter alcançado outro resultado. Permitimos uma grande exibição ao guarda-redes do Tondela. Valorizar também a forma como obtivemos os golos. Na segunda parte, uns por desgaste, outros por falta de ritmo, fomos sentindo e fizemos as alterações. Gerimos a equipa, tentámos que se mantivesse coesa. Manter o bloco a atacar e a defender. Soubemos controlar. Três pontos e agora começar já a preparar o jogo de quarta-feira, que é muito importante para nós”

Seis jogos sem sofrer golos

“É o trabalho coletivo. Mérito dos jogadores. Interpretam bem a estratégia. Era fundamental variar a construção, variando também os jogadores para o adversário não ter referências, e depois encontrar os caminhos para o golo. Procurar laterais por fora e atacar a linha defensiva. Mérito dos jogadores. O plano da segunda parte era este, de controlo.”

Quarta-feira jogo muito importante

“É fundamental o apoio dos nossos adeptos. Sabíamos o que tínhamos que fazer em agosto, um troféu para conquistar, o acesso à Liga dos Campeões e o principal objetivo que é o campeonato. Mérito dos adeptos que têm apoiado, mas também dos nossos jogadores pela forma como se empenham”

Dedic, o elétrico que faz carburar um carro a gasolina (a crónica do Benfica-Tondela)

Cinco jogos, quatro vitórias, um troféu num dérbi, zero golos sofridos. Houve tempos em que Bruno Lage ia fazendo grandes loas à nota artística que pretendia colocar como imagem de marca do Benfica, sobretudo em encontros que se realizassem na Luz. Agora, percebendo o contexto que equipa, clube e o próprio enfrentam, tornou-se sobretudo um técnico resultadista, que analisa a conclusão de um encontro à luz dos golos que foram marcados e sofridos sem olhar tanto para aquilo que foi feito para alcançar esse objetivo. Para já, essa estratégia tendo um plantel ainda em fase de construção estava a resultar. E o próximo obstáculo pela frente era o Tondela, equipa só com derrotas na Liga que aparecia na antecâmara dessa decisão da Champions.

Benfica-Tondela. Águias procuram segunda vitória na Liga antes da “final” pela Champions

“Vou começar com um chavão: é o jogo mais importante porque é o próximo. Digo-o com toda a sinceridade. A Liga dos Campeões é importante, traz prestígio aos jogadores e ao clube, financeiramente também é muito relevante. No ano passado chegámos aos oitavos, batemos recordes de receitas, fomos o clube que mais pontos fez em Portugal mas não fomos campeões e o que os benfiquistas querem é ser campeões. Há três pontos que queremos mas sabemos que há muito a perder nestes jogos. O nosso foco, a concentração, o empenho e a agressividade para vencer o Tondela têm de lá estar porque os dois resultados que tiveram até agora foram enganadores. Temos de estar muito concentrados para vencer este jogo”, apontara antes da partida, mais numa mensagem para dentro do que propriamente para fora para evitar qualquer facilitismo.

“O que temos de falar é de cada momento. Vou usar mais um chavão: Roma e Pavia não se fizeram num dia. Temos de convencer e, depois, vamos ter tempo. Fomos elogiados até mesmo por vós a determinados momentos. Neste momento, o resultado está em primeiro lugar e tenho total confiança. Fizemos um arranque muito positivo e, agora, estamos satisfeitos. Sabemos que temos de dar todos muito mais. Primeiro vencer, depois teremos tempo para convencer”, acrescentou a esse propósito, antes de refutar também a ideia de haver um Benfica com menos argumentos ofensivos pelos seis golos marcados em cinco jogos entre o jogo em branco realizado na passada quarta-feira em Istambul com o Fenerbahçe de Mourinho.

“Lembra-se da última época em que o Benfica iniciou assim? Com quatro jogos, quatro vitórias e zero golos sofridos? É a primeira vez, por isso é que não se lembra. Este grupo de jogadores está a fazer isto sem ter férias, sem pré-época… Quatro vitórias sem golos sofridos, cinco seguidos sem sofrer golos e ganhou a Supertaça. Se quiserem olhar para o número de golos… Se olhar a 60, 70 anos, em duas épocas está um treinador português”, reforçou, antes de deixar em aberto possíveis alterações na equipa inicial sobretudo depois da permanência de Kerem Aktürkoglu, que viu gorada a saída e ocupou a posição de Schjelderup.

“O mais importante é sermos claros numa coisa: quem toma as decisões sobre a equipa sou eu e tenho de olhar para o rendimento dos jogadores dentro e fora de campo. É perceber tudo o que anda ao redor, o contexto, a dinâmica da equipa. E há uma coisa que também é muito importante: a estratégia para o jogo, escolher o melhor onze. Em cinco jogos, dois jogou o Kerem [Aktürkoglu], em três o Schjelderup. Só têm de ser competitivos para que possa tomar as melhores decisões. Sinto o Kerem de corpo e alma no Benfica, a querer ajudar a vencer jogos. Se assim não fosse, não tinha feito o que fez neste início”, frisara.

Bruno Lage queria esconder o jogo sabendo que iria promover uma série de alterações na equipa inicial. A entrada de Schjelderup para o lugar de Aktürkoglu foi apenas uma, com Obrador a ter oportunidade no lugar de Dahl, Tomás Araújo a fazer descansar António Silva e Ivanovic a juntar-se a Pavlidis com Florentino Luís no banco. Depois, a grande surpresa: na sequência de um encontro na Turquia em que teve duas defesas fulcrais mas por pouco não custou a derrota num erro após remate de Talisca, Trubin ficava no banco e abria a porta para a estreia de Samuel Soares esta época e logo no Campeonato, sem que se percebesse se poderia ser um sinal de uma troca efetiva na baliza. Para já, sobra essa dúvida (com a ideia de que o ucraniano pode regressar na quarta-feira) e fica uma certeza: após vários testes e adaptações, o Benfica parece ter acertado de vez num sucessor de Bah no lado direito da defesa com um Amar Dedic que defende, sabe atacar e voltou a ser o desbloqueador de todo o jogo ofensivo encarnado nas alturas em que voltava a ser um carro a gasolina.

O encontro começou praticamente com o Benfica a ficar muito perto do golo inicial, com Ivanovic a ver bem a movimentação de Pavlidis para descair sobre a direita da área e rematar cruzado para defesa complicada de Bernardo para canto… aos 25 segundos. Estava dado o mote para aquilo que parecia ser uma noite de caudal ofensivo mais acentuado mas o Tondela teve o condão de serenar ânimos nos minutos seguintes, fazendo posses no meio-campo contrário com dois livres laterais que poderiam levar perigo e impedindo com isso que os encarnados se aproximassem com perigo da área contrária, algo que aconteceu mais perto do fecho do primeiro quarto de hora com Pavlidis a disparar uma “bomba” após assistência de Aursnes para defesa de Bernardo Fontes para canto (12′) antes de um desvio de cabeça do grego para nova parada (13′).

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