O adeus de Kevin de Bruyne ao Etihad: belga não escondeu a emoção

Craque vai deixar o clube no final da temporada

Kevin de Bruyne disputou esta terça-feira o seu último jogo pelo Manchester City no Etihad () e a forma como foi saudado pelo público no momento da substituição diz tudo sobre o impacto que teve no clube. Foram 10 temporadas no clube, nove delas com Pep Guardiola, um técnico com o qual trocou um abraço bastante sentido e emocionado.

Além desse momento, a partida marcou ainda o regresso aos relvados de Rodri, depois de uma longa ausência devido a uma lesão sofrida em setembro do ano passado.

Por Record

Quando tudo arde

No ano em que se assinalam os 50 anos das primeiras eleições livres, a estrutura de competição política e a clivagem que a norteou durante estas décadas acabou este domingo. Em boa verdade, a sua morte tinha começado em 2022, quando o Chega elegeu 12 deputados. Ontem, o fim do bipartidarismo apenas foi confirmado. A noite de ontem dará azo a muitos debates e, acima de tudo, precisamos de analisar com cuidado os inquéritos pós-eleitorais que venham a existir. Por agora, acho que vale a pena abordar três pontos macro que podem ajudar a perceber a subida do Chega e, acima de tudo, a derrota do Partido Socialista.

Em primeiro lugar, comecemos pela ascensão fulgurante do Chega. André Ventura é um político brilhante. Independentemente dos juízos normativos que faço sobre as suas propostas, há que reconhecer que, praticamente sozinho, uma vez que o Chega sem ele pouco vale, conseguiu abalar as fundações de um regime que, em 50 anos, logrou construir uma democracia e um Estado social, mas também criou imensa corrupção, bem como quadros políticos e elites culturais, académicas e de comunicação social francamente medíocres.

Como empreendedor, Ventura é, sem dúvida, um grande político. Se as elites do PSD o tivessem cooptado no momento certo, teriam à disposição um quadro que, com elevada probabilidade, levaria o partido a grandes vitórias eleitorais. Para além das suas qualidades intrínsecas, Ventura beneficiou de uma conjuntura perfeita.

Antes do mais, os ventos internacionais sopram a seu favor. Apesar de não haver uma relação de causalidade directa e ser muito difícil perceber como é que ondas políticas se arrastam de um país para o outro, a co-existência, em múltiplos países, de partidos com estruturas e projectos de poder semelhante significa, no fundo, que estes partidos estão a conseguir captar o Zeitgeist que importa.

Depois, Ventura fundou o partido no momento certo. Há eventos na sociedade que têm uma grande componente de aleatoriedade e até de caos, que não derivam exactamente de um nexo de causalidade formal. Quando Ventura estava a formar o partido, Costa estava a abrir Portugal como nunca ao estrangeiro, com a mal-afamada declaração de interesse, que, em pouco mais de quatro anos, deixou entrar no país mais de um milhão de imigrantes, muitos deles de culturas distintas. Mais uma vez, independentemente da minha opinião normativa sobre a imigração, que é contrária à de Ventura, é evidente que o tecido social de qualquer sociedade se vai deslaçar e se vai percepcionar um perigo à coesão do todo nacional quando em tão pouco há uma entrada de estrangeiros superior a dez por cento da população. Mais, se estivéssemos numa época de boom económico, eventualmente a entrada destes estrangeiros seria, apesar de tudo, mitigada pelo aumento do bem-estar, o que não foi o caso.

Por último, Ventura conseguiu mobilizar politicamente a sensação de perda relativa de bem-estar. Na ciência política, a ideia de privação relativa tem sido utilizada recorrentemente como explicação para a ascensão e o sucesso destes partidos. Em Portugal, é evidente que existe uma mole de gente que se sentem os perdedores do sistema, os descamisados, cuja voz não é ouvida. Em 2019, logo no momento da fundação do Chega, Riccardo Marchi e José Pedro Zúquete escreveram sobre esta reserva populacional e sobre como ela se poderia tornar a base eleitoral de um partido de massas. Acertaram.

Em segundo lugar, vale a pena olhar para o Partido Socialista. Para tirar já um elefante na sala: não acho que a culpa do resultado catastrófico do PS tenha sido de Pedro Nuno Santos. Acho-o um líder intelectualmente fraco e pouco preparado – um produto clássico das jotas enquanto mecanismo de socialização e de recrutamento político – que dificilmente teria grande futuro no partido. No entanto, nunca saberemos se a culpa pode ser verdadeiramente assacada a Pedro Nuno Santos porque na vida real não existem contrafactuais. Sabemos, no entanto, outras coisas. Em primeiro lugar, a coligação eleitoral na qual o sucesso de António Costa assentou estava fortemente alicerçada em reformados e funcionários públicos. Esta coligação eleitoral baseava-se numa premissa: a ideia de que apenas o PS era o garante da manutenção do estatuto destas classes e que o PSD, pelo contrário, era uma ameaça. Mais, esta coligação assentava, na sua totalidade, no controlo do poder. Assim que o PSD chegasse ao poder e mostrasse que os cortes do tempo de Passos haviam sido excepcionais, era evidente que esta coligação estava condenada. Em segundo lugar, o PS está agora também a pagar uma parte da factura de 2015 e que, de resto, se relaciona com este último ponto. Há uma geração no PS para quem Pedro Nuno Santos é uma espécie de guru que teve um momento de fortíssima socialização política no contexto da Geringonça. Esse contexto fê-los perder de vista que o PS nunca poderia ser auto-suficiente como partido se falasse para a sua esquerda. Matar a herança de Soares enquanto grande partido popular de massas, inter-classista e centrista tornaria o partido eleitoralmente inviável. Estes três pontos, no fundo, formaram uma mistura explosiva que rebentou na cara dos Socialistas este fim-de-semana.

Curiosamente, ao contrário dos seus congéneres Europeus, não caiu numa alteração da estrutural social de representação. Ao longo dos últimos 10 a 15 anos, os partidos sociais-democratas europeus, encaixaram derrota atrás de derrota, muitas vezes correndo o risco de extinção. A explicação para a erosão dos partidos sociais-democratas é relativamente simples. Juntamente com as mudanças na estrutura social do eleitorado, com o declínio da classe trabalhadora, estes partidos foram capturados por elites que, fundamentalmente, estão mais preocupadas com a representação política de ideias cosmopolitas e ligadas ao pós-materialismo. Numa palavra: estes partidos tornaram-se incapazes de representar as classes médias dos seus países, assim como os trabalhadores. Os partidos de centro-esquerda que almejam ser grandes agregadores do seu campo político não podem estar centrados naquilo que a que Piketty chamou Esquerda Brâmane, fundamentalmente composta por pessoas de classe média-alta, com elevadas qualificações, com poucas preocupações materiais e com grandes desejos de representação de causas cosmopolitas e percepcionadas como sofisticadas. Curiosamente, o PS não fez este movimento, continuando a representar as classe mais baixas, com menos qualificações e mais dependentes do Estado. Isto torna-o um caso à parte na erosão da social-democracia na Europa e, obviamente, especialmente importante de analisar.

A última lição deste fim-de-semana é para a AD. Sejamos claros. A AD teve uma enorme vitória e viu a sua estratégia confirmada nas urnas pelos eleitores, que, mais uma vez, de acordo com as sondagens à boca da urna depositaram pouca importância em questões de ética. Montenegro viu o eleitorado passar um pano sobre os seus problemas éticos. No entanto, a vitória pode revelar-se pírrica e de curta duração. Montenegro não tem condições políticas objectivas e subjectivas para governar. Diferentemente daquilo que se passou há um ano, o PS não terá quaisquer incentivos para cooperar com o Governo. Depois do resultado humilhante, o PS estará a lamber as feridas e não pode, de maneira nenhuma, ser percepcionado como a muleta da AD. Tem de afirmar-se como pólo de oposição, com um projecto político independente. A estrutura de incentivos de cooperação em Governos minoritários clássicos não contempla uma diferença tão grande de votos entre PSD e PS.

Mais, simbolicamente, o facto de o Chega ter a liderança da oposição torná-lo-á o actor pivot das negociações com a AD. Sem a cooperação do PS, Montenegro terá de se virar para o Chega. Para último, deixo aquilo que, para já, pode parecer apenas uma fantasia: o possível sorpasso do PSD pelo Chega. Não é impossível, nem tão pouco é improvável. Quem dissesse ao PS saído da maioria absoluta de 2022 que, passados três anos, o Chega teria um grupo parlamentar maior do que o seu seria apelidado de louco. A AD tem de ponderar muito bem como avançará. Montenegro não tem certamente a estrutura intelectual e política para conduzir o Governo na direcção que poderia levar ao esvaziamento do Chega. De resto, o seu primeiro ano de governação diz-nos exactamente o contrário: o Chega está em franco crescimento. Para além disso, o Governo já não dispõe de excedente orçamental para continuar a dar benefícios a muitas classes sociais e a economia certamente não irá ajudar, devido à conjuntura internacional. A única hipótese para Montenegro singrar seria reformar o país e pô-lo a crescer. No entanto, quer queira quer não, a sua grande vitória traduziu-se em 89 deputados, muito longe da maioria, inclusive com a Iniciativa Liberal. Nas próximas eleições, sejam elas quando forem, André Ventura é candidato a primeiro-ministro.

Fazer o quê de Portugal?

1 Tanta coisa e tanto eco e afinal coisa tão previsível. Sim, sim, sim, não há outro ponto de partida: todos os sinais estavam “lá”, nesse indefinido e indefinível “lá” que é o ar do tempo que vivemos.

Revendo a espantosa matéria: primeiro, o Chega foi desde o seu infausto parto adubado pela intencionalíssima vontade socialista de o fazer crescer para roer o PSD. Com artesãos estrategicamente colocados na presidência da Assembleia da República, segunda maior instituição do Estado português, Ferro Rodrigues e Augusto Santos Silva fizeram ambos o que puderam, e puderam muito, enquanto o PS lhes seguia a passada. E, depois, foi amparado por considerável parte da media que lhe gastava o nome num misto de vertiginoso deleite e atração fatal. Com dois “elevadores” desta potência, o astuto Ventura não precisou de muito mais: bastou-lhe ir dizendo com veemência e virulência o que aqueles de quem ninguém tinha feito caso queriam ouvir. Esses “aqueles” há muito entregues apenas a eles próprios. Isto é, o solo do descontentamento já estava dramaticamente pronto para receber adubo: ninguém no centro-direita/centro-esquerda – à excepção talvez de Pedro Passos Coelho – vira os sinais acesos ou ouvira as campainhas de alarme, tocadas pelos “aqueles” que tinham ficado para trás. Já eram muitos, cresceram e multiplicaram-se, hoje contam-se pela nossa – minha, pelo menos – vergonha.

E agora? Agora que sabe Ventura? Que o habilita para escolher – e acertar na escolha – gente para servir em cargos de alta sageza e delicadeza nacional? Que o recomenda para partilhar segredos de Estado? Para discutir e reflectir sobre alta política? Numa palavra, em que se poderá transformar o líder do Chega para se tornar apto a concretizar as tarefas que o esperam, agora que os tremendos “dois terços de votos” rumaram do centro para a direita mais à direita?

Quem é André Ventura?

Agora? Agora é tudo pior, “em política há sempre pior” como me dizia alguém. Pior, mais complexo, muito mais ruim.

E ruim talvez seja o mais adequado adjectivo, detestável adjectivo.

2 No PS também só não viu quem não quis. Foram largos e cheios os meses em que Pedro Nuno Santos dirigiu a “casa” sem engenho e arte para ela. Era preciso não ser tão impetuoso, instável, imponderado, imprevisível e por vezes irrascível. E outras, zangado com o mundo; não ter valsado durante meses, entre um “sim” ou um “ não” ao Orçamento de Estado da AD; não ter mimado uma Comissão de Inquérito ao primeiro-ministro para depois se arrepender e desistir dela; e a seguir voltar a insistir no tema; ter com ímpeto votado a queda do governo contra a opinião ponderada de pares próximos; ter fechado o partido à sua volta, fazendo subir a divisão e a tensão internas, menorizando o peso do silencioso mas poderoso exército “costista”.

O seu “treino” de liderança política não augurava nada de sólido e ainda menos de futuro. Basta pensar no contraste entre um líder socialista sóbrio e compenetrado, vestido ficticiamente de “primeiro-ministro” nos debates televisivos, e o verdadeiro Pedro Nuno das arruadas, entregue à sua verdadeira natureza – particularmente ressentida no modo como nesta campanha preferia substituir o argumento pela acusação, valorizando o insulto como instrumento eleitoral.

Só não viu quem não quis. A derrota era certa, só a sua amplitude pode surpreender.

E agora? Um retiro, uma longa pausa, uma travessia. O que for preciso. Mas por favor senhoras e senhores socialistas, cuidado com a indispensabilidade do PS. O que aí está já é suficiente “desconhecido” para que tudo não seja feito, a começar pelo impossível

3 Todo o espaço à direita do PS subiu nestas eleições: IL, PSD-CDS, Chega.

O espaço à esquerda levou um rombo assassino. Não sei o que Luís Montenegro vai fazer com isto, nem para onde se irá virar. À hora a que escrevo julgo até que nem ele ainda sabe. Escolha uns ou outros, ou escolha concertar-se e negociar com ambos à vez, uma coisa é certa: e o país? Valeria a pena pensar em Portugal. Parece uma ironia e nem sequer subtil. Não é. Há quanto tempo ninguém escolhe Portugal como prioridade absoluta com tudo o que isso implica de começar a fazer já o que António Costa não fez em oito anos e três governos, três? É que havia mais vida além da preocupação com as “contas certas” (herança de Passos Coelho até aí vista – entre o riso e o desprezo – como despaciência, pois lembramo-nos de Pedro Nuno Santos a querer partir as pernas aos banqueiros já não me recordo de que nacionalidade, talvez de todas).

4 Ou olhamos para estas coisas a sério ou não sairemos de uma cepa torta mediana, modesta, pequenina, irrelevante, onde estamos há quase dez anos.

Onde esteve o carburante para o motor do nosso progresso? E a visão, o anúncio de reformas, a vontade da criação de riqueza, o fôlego do desenvolvimento, o cuidado com o nosso lugar na UE (e pensar que integramos o núcleo dos doze primeiros Estados membros)?

5 A seguir Luís Montenegro remediou mas não mais que isso. Impôs um outro modo de estar na política – mais avesso ao comentário a toda hora e momento, mais praticante da reserva do que da praça pública. Fez o que podia? Talvez, falta o essencial. E agora podendo ou não, terá de meter uma quinta para chegar lá. Mas não por causa do Chega ou do medo de não ganhar as próximas eleições.

Por causa de Portugal.

6 Era preciso não continuarem a cansar-nos com a premente necessidade de “estabilidade e a governabilidade” se elas não servirem para nada. Há quase uma década que não servem. Caramba.

Juntas Médicas de avaliação de incapacidade vão apreciar recursos de “inaptos” para conduzir

Os recursos de pessoas consideradas inaptas para conduzir vão passar a ser analisados pelas Juntas Médicas de Avaliação de Incapacidade (JMAI) Comuns de Recurso, em constituição nos estabelecimentos de saúde do SNS, segundo despacho publicado nesta terça-feira.

A alteração decorre da extinção das Administrações Regionais de Saúde, estruturas onde se encontravam sediadas as juntas médicas de avaliação dos recursos interpostos contra o resultado de “inapto”, explica a Secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé, no despacho.

O diploma define que os estabelecimentos de saúde do Serviço Nacional de Saúde (SNS) irão articular-se para criar juntas médicas de avaliação de incapacidade (JMAI) comuns de recurso, compostas por membros de vários estabelecimentos.

“Até à constituição das JMAI Comuns de Recurso previstas na portaria [de abril] mantêm-se em funções as juntas médicas atualmente designadas”, determina no despacho.

Homem condenado em Leiria a 12 anos de prisão por crimes sexuais contra a filha

O Tribunal Judicial de Leiria condenou nesta terça-feira um homem na pena única de 12 anos de prisão por 100 crimes de violação agravada e dois de coação sexual, assim como um crime de violência doméstica de que foi vítima a filha.

O arguido, que está atualmente preso, foi ainda condenado na coima de 400 euros por uma contraordenação no âmbito da Lei das Armas e nas penas acessórias de proibição de assumir a confiança de menor, adoção, tutela, curatela, acolhimento familiar, apadrinhamento civil, entrega, guarda ou confiança de menores, pelo período de cinco anos.

Pelo mesmo período, está inibido do exercício de responsabilidades parentais.

À filha, o arguido vai ter de pagar 20 mil euros de indemnização por danos não patrimoniais sofridos.

O homem, de 56 anos, estava acusado pelo Ministério Público (MP) de 50 crimes de abuso sexual de menores dependentes e 170 crimes de violação, todos na forma agravada, tendo o coletivo de juízes determinado uma alteração não substancial dos factos e da qualificação jurídica.

Na leitura do acórdão, a juíza-presidente salientou que foram fundamentais as declarações para memória futura da filha do arguido, classificando-as como “absolutamente credíveis”.

Pelo contrário, as declarações do homem, dizendo que atos sexuais foram consentidos e praticados após aquela ter completado 18 anos, foram descredibilizadas “pelo depoimento da ofendida”.

“[O arguido] limitou-se a assumir o mínimo possível”, considerou.

Referindo-se à condenação, a magistrada judicial afirmou que “outra coisa não era de esperar em face das declarações para memória futura que a sua filha prestou perante juiz de instrução criminal”.

Reconhecendo ser certo que o arguido “não ficou numa situação fácil depois de a sua mulher se ter ido embora” e de aquele ter ficado com os filhos, a presidente do coletivo de juízes frisou, contudo, ser “inaceitável, inenarrável, incompreensível” o que fez.

“Os pais é suposto zelarem pelo bem dos filhos” e “não é suposto usarem os filhos de uma maneira absolutamente vil e sórdida”, adiantou.

Dirigindo-se ao arguido, a juíza-presidente lembrou que “a soma aritmética [das penas parcelares] dava muito mais do que o limite máximo da pena permitida por lei, que são os 25 anos” de prisão, esperando que, quando voltar à liberdade, “consiga retomar uma vida conforme o Direito e não volte” a cair nestas tentações.

O despacho de acusação do MP referia que os abusos sexuais começaram quando a filha tinha 17 anos e ainda frequentava a escola, tendo continuado depois de atingir a maioridade e de ter deixado de estudar.

Então, passou a ficar em casa “durante todo o dia, a limpar e a arrumar, bem como a cumprir tudo o que lhe ordenava”.

Segundo o MP, durante cerca de quatro anos e meio, o arguido sujeitou a filha a práticas sexuais, “aproveitando o facto de ser seu pai e de residirem na mesma habitação, fazendo-o indiferente à relação de parentesco e à sua idade” e para “satisfazer os seus instintos libidinosos”.

Para o MP, o homem, que tinha a filha aos seus cuidados e na sua dependência económica, agiu com o “propósito de a maltratar, física e psiquicamente, o que fez de modo reiterado”.

Pote revela quem contratava ao Benfica e FC Porto e faz a antevisão da final da Taça: «Queremos a dobradinha»

Em declarações ao ’11’, o extremo do Sporting assume a vontade que o clube tem em conquistar a ‘dobradinha’

Pote revelou, em desafio lançado durante a entrevista ao ’11’, os dois jogadores que contrataria ao Benfica e FC Porto para o plantel do Sporting. A justificação? Com base na carreira de cada um. “Contratava o Di María, sem dúvida. Pelo currículo. Do FC Porto o Diogo Costa”, confessou o extremo do Sporting, assumindo que o seu ídolo é “Cristiano Ronaldo”.

Ainda em declarações no programa ‘Futebol Total’, o camisola 8 dos leões abordou a final da Taça de Portugal, frente ao Benfica, rejeitando qualquer tipo de favoritismo do lado do Sporting.  “Sporting chega melhor animicamente? Não olhamos para isso assim. É sempre complicado, um jogo de 50/50, o que pudermos controlar vamos controlar, mas é sempre um jogo com muito stress e ansiedade. Claro que vamos entrar com imensa vontade de ganhar e fazer a dobradinha, algo que o Sporting quer muito.”

O golo cedo no dérbi da Luz

“Baixámos as linhas, vamos rever isso. Baixámos demais, correu bem, porque o empate foi bom para nós.”

Esperavas um FC Porto mais forte esta época?

“Não sei. São um grande, mas há temporadas como esta. Também já fiquei em quarto. Mas na próxima época vêm para ser campeões.”

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Idoso condenado a 10 anos por pornografia de menores em Loures

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Numa nota, a Procuradoria da República da Comarca de Lisboa Norte revelou que, por acórdão de 09 de maio, ainda não transitado em julgado, o homem, com 77 anos, foi condenado à pena única de 10 anos por dois crimes de pornografia de menores agravada.

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O arguido condenado armazenava estas imagens desde 2021 e, em 2023 e 2024, partilhou os conteúdos em redes sociais como o ICQ, o Whatsapp, o Telegram e o Viber.

O inquérito que resultou na condenação foi dirigido pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal de Loures, com a ajuda da Polícia Judiciária.

Que eleições históricas! Ficou é tudo na mesma

Em jeito de aquecimento, um facto daqueles rápidos e curiosos, que rapidamente passam de curiosos a deprimentes. Na Alemanha, houve 165 ataques com facas nos últimos 18 dias. Vi eu no X. Publicado por uma conta que reputo de credível. “Quão credível?” Mau, então mas agora tenho de prestar contas na minha própria crónica? O que interessa é que, mais facada, menos facada, esta estatística permite concluir que, neste momento, aquilo na Alemanha está quase tanto de cortar à faca como na sede do Bloco de Esquerda.

Sede do Bloco que, agora, é coisa para ficar praticamente devoluta. Portanto, é tempo de solicitar os préstimos da experiente gestora de alojamentos locais, Catarina Martins; é tempo de beneficiar da localização do imóvel numa zona de Lisboa com tanta procura por sub-caves, esconsos e logradouros; é tempo de alugar as assoalhadas esvaziadas de funcionários do partido a recém-chegados imigrantes. Daqueles que aceitem os trabalhos no Bloco que as mulheres portuguesas grávidas não querem fazer, essas mandrionas anafadas.

Mas não julguem, por um instante, que o Bloco acabou. Na verdade, nem Francisco Louçã, mesmo após uma votação em Braga invisível a olho no microscópio electrónico, acabou. Nada disso. Na verdade, estamos é na presença de um movimento trans. Aquilo a que assistimos nestas eleições foi ao Bloco de Esquerda a fazer a transição para Livre. Isto é apenas uma mudança de eras, meus amigos. Despedimo-nos do Paleopolítico Francisco Louçã e damos as boas-vindas ao Sonsinholítico Rui Tavares. Esse mesmo. O que, quando questionado por Sérgio Sousa Pinto, na RTP, “não sabia” o nome do líder do grupo parlamentar europeu a que pertenceram Livre, BE e PCP, e que esteve ligado à polícia política da ex-RDA. Isto são já níveis Stasi de manha.

Ainda assim, e porque falo de manha, a manhã pós-eleitoral do Livre não terá sido das mais prazerosas. É que o plano, menos secreto que a receita da carcaça, de à primeira oportunidade se agarrar – qual carraça – ao PS de Pedro Nuno Santos, saiu mais ao lado que um livre directo do capitão Paulo Madeira (um miminho, para conhecedores). Ainda que com mais deputados, ficou mais longínqua para Rui Tavares a perspectiva de parasitar o PS que, por sua vez, parasitaria os portugueses. Cenário no qual o Livre seria aquilo a que em ciência política se chama um para-parasita. E em que nós estaríamos com-completamente li-lixados.

Quem está cada vez mais próximo de também vir a ter a sua chance de parasitar os portugueses é o Chega. Na primeira vez que foi a eleições elegeu 1 deputado. Três actos eleitorais depois tem 58 parlamentares. A este ritmo, mais um trio de legislativas e, pelas minhas contas (é melhor confirmarem), o Chega chegará aos 3.364 deputados. Deixando muito clara a hipocrisia do partido: aquele que é o grande crítico da imigração, está a pôr em prática a Teoria da Substituição de deputados nativos de esquerda pelos seus recém-chegados parlamentares.

Diga-se o que se disser, um mérito não se pode tirar a André Ventura. Na questão da imigração, teve coragem de falar sobre o assunto quando ninguém lhe tocava nem com uma luva de soldador. Nesta circunstância, Ventura foi o menino que gritou “O rei vai nu.” Agora, ninguém disse que o menino que assinala o rei desnudo é quem sabe costurar belas fatiotas que resolvam o problema. Aliás, o mais provável era um petiz capaz de solucionar essa questão ser oriundo de uma sweatshop no Camboja. E esse talvez não possa vir resolver-nos problemas quando o Chega tiver 3.364 (confirmaram?) deputados.

Um regime ligado à máquina

As eleições legislativas do passado Domingo consumaram definitivamente a mudança do sistema partidário português que os resultados das eleições legislativas do ano passado já haviam indicado claramente. Na altura, resumi assim o que se tinha passado nas eleições legislativas de 2024:

“Pedro Nuno Santos não foi capaz de convencer o eleitorado e ficou muito abaixo do resultado conseguido por António Costa em 2022. Adicionalmente, a esquerda foi esmagada eleitoralmente e fica-se, no seu conjunto, por um resultado historicamente baixo em Portugal. (…) Nestas eleições, o país mostrou a sua insatisfação com a governação socialista e virou à direita mas essa viragem deu-se, no essencial, através do extraordinário crescimento do Chega. O partido liderado por André Ventura – que apenas conseguiu obter representação parlamentar pela primeira vez em 2019 e cresceu para 7,2% e 12 deputados em 2022 – consegue agora mais de um milhão e cem mil votos e perto de 50 deputados. O Chega não teve só um grande resultado (passou de 7,2% para 18% e quase quadruplicou a dimensão do seu grupo parlamentar) – teve uma grande resultado numas eleições em que a participação aumentou, e muito. 10 de Março foi o dia em que o sistema partidário português mudou. Teremos todos de aprender a viver com essas mudanças.”

Como se antevia – ainda que muitos jurassem publicamente o contrário na expectativa de se poderem colar a uma altamente improvável vitória do PS – Pedro Nuno Santos destruiu mesmo o PS e esta eleições colocam objectivamente o Chega como líder da oposição. Para a próxima liderança do PS, importa repetir o alerta que fiz quando antevi este desfecho: “Importa recordar que são já vários os países europeus nos quais os partidos tradicionais equivalentes ao PS desapareceram ou se tornaram irrelevantes. Caso a liderança do PS prossiga no mesmo rumo, Portugal pode muito bem ser o próximo.”

Mas o principal facto político que resulta destas eleições é mesmo o fim da dominância dos dois partidos tradicionais do centro: PSD e PS. Já se percebeu que o PSD festejará ficando agarrado à vantagem sobre o PS que lhe permite continuar agarrado ao poder, mas o regime das últimas décadas deixou de existir e as implicações da sua morte serão profundas. Para compreender o rápido crescimento que o Chega verificou desde 2019 – assim como o enorme apelo do Almirante Gouveia e Melo – é fundamental perceber essa lenta agonia dos partidos do centro, que agora culmina na ascensão do Chega a líder da oposição. Uma evolução que deveria deixar muito preocupado também o próprio PSD. Como muito lucidamente – e com a sua habitual independência e coragem – alertou Miguel Poiares Maduro:

“O PS tem de estar muito preocupado, mas o PSD também não tem grandes motivos para festejar. Noutros tempos (o regime que hoje morre) esta derrota do PS significava uma enorme maioria do PSD. Como escrevi há dias: reduziram a alternância a uma escolha entre status quo e revolução. O PS brincou com o fogo achando que o Chega podia matar de vez o PSD e acaba a arriscar morrer às mãos do Chega. Espero que o PSD não ache o contrário e perceba o que isto quer dizer do regime e da necessidade de reformas profundas nos partidos tradicionais do regime.”

De facto, se a AD continuar no mesmo caminho e não for capaz de dar respostas efectivas às razões de insatisfação das pessoas, da próxima vez o Chega provavelmente disputará não o segundo mas o primeiro lugar nas eleições, não obstante as muitas e graves fragilidades e inconsistências que o partido liderado por André Ventura continua a evidenciar. Importa recordar que em 2019, André Ventura conseguiu cerca de 68.000 votos e a sua eleição como deputado único. Hoje, apenas seis anos depois, mais de 1.300.000 eleitores portugueses votaram no Chega, permitindo ao partido eleger (provavelmente) mais deputados do que o PS e tornar-se a segunda força política em Portugal e o líder da oposição. Isto depois de ter sido praticamente unânime entre os quadros do comentariado mediático que Ventura foi copiosamente derrotado em todos os debates em que participou. Imagine-se o que seria se tivesse ganho alguns…

É justo concluir com uma palavra de reconhecimento para António Costa, Augusto Santos Silva e Ferro Rodrigues, entre outros: estão todos de parabéns. Os grandes arquitectos da estratégia das “linhas vermelhas” desenhada para impedir governos maioritários de direita abriram caminho a que o Chega se tornasse o líder da oposição e colocasse em risco de vida o próprio PS. Com mais alguma insistência neste caminho, chegará o dia em que André Ventura ganhará eleições.

P.S.: Sempre ressalvando que sondagens pré-eleitorais não são previsões de resultados, importa realçar que na última sondagem pré-eleitoral da Universidade Católica a diferença entre AD e PS era de 8 pontos percentuais e que nas eleições de Domingo a diferença entre AD e PS foi de cerca de 9 pontos percentuais. É por isso muito pouco provável que, como foi apontado por alguns críticos que lançaram acusações completamente infundadas de manipulação com base nessa diferença, a sondagem pré-eleitoral da Universidade Católica estivesse a sobrestimar grosseiramente a diferença entre AD e PS. Fica o registo para memória futura. Mais importante: no Domingo, a sondagem à boca das urnas da Universidade Católica teve – uma vez mais – um desempenho exemplar. Tendo eu próprio dirigido o Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica entre 2017 e 2019, aproveito para felicitar o novo Director, desde Março deste ano – João António (com ampla experiência anterior no Centro) – pela excelente estreia que teve nessa capacidade em eleições legislativas nacionais, tanto em termos técnicos como comunicacionais, estando inequivocamente à altura da marca de prestígio, credibilidade e independência que a Católica justamente consolidou ao longo dos anos neste domínio. Faço votos de que assim continue.