• Novos distúrbios em Paris durante protesto contra a violência policial

    5 Dezembro 2020 Lei de “segurança global” e agressão a produtor musical negro voltaram a trazer milhares de franceses para as ruas. Em Paris, a manifestação ficou marcada por actos de violência./> Público »

  • Imprensa preocupada com violências policiais e perda de liberdades em França

    4 Dezembro 2020 >Esta semana, as revistas francesas destacam, de forma geral, as violências policiais em França e os receios de perda de liberdades com o projecto de lei sobre a segurança global. Por sua vez, a Jeune Afrique titula, na primeira página, “África em busca de uma nova liderança” e entrevistou o Presidente francês que defende que “entre França e África deve ser uma história de amor”. >Em manchete na primeira página da Jeune Afrique, “África em busca de uma nova liderança”, com a legenda “Que distantes parecem os tempos dos Senghor, Houphoët, Sankara, Bourguiba e Mandela. Confrontada com desafios cada vez mais complexos, África precisa mais do que nunca de dirigentes visionários, íntegros e corajosos.”>Em chamada de capa, uma entrevista ao Presidente francês, Emmanuel Macron, e a citação “Entre França e África deve ser uma história de amor”. Três anos depois do discurso que pronunciou em Ouagadougou, o chefe de Estado francês lembra que iniciou um tema tabu: a restituição de obras de arte africanas, nomeadamente ao Senegal, Benim e Madagáscar.  Fala ainda na reforma do franco CFA, na plataforma Digital Africa, na Cimeira de Financiamento para África que vai ser organizada em Maio, em Paris, e na Cimeira África-França, em Julho, em Montpellier.>Questionado sobre o sentimento anti-francês que se desenvolveu em alguns países francófonos, Emmanuel Macron disse que durante anos a França manteve uma relação institucional com África, criando um certo ressentimento, mas também apontou o dedo à Rússia e à Turquia como dando voz aos que alimentam o ressentimento. Por isso, o Presidente francês diz que entre França e África deve ser a tal história de amor e que não se deve ficar prisioneiro do passado. Por outro lado, Macron reitera que a estratégia militar francesa no Sahel e a operação Barkhane foram solicitadas pelos países da região.>Nesta entrevista, Emmanuel Macron insiste que as suas declarações pela liberdade de expressão foram deformadas porque nunca criticou o Islão mas sim o terrorismo islamita, recordando que 80% das vítimas no mundo são muçulmanas.>A revista Express publica na primeira página uma imagem do ministro do Interior, Gérald Darmanin, com o título, “o cheiro a enxofre” e propõe uma reportagem sobre “o homem que abala a Macronia”.>A revista Vie também se questiona se “há um desvio autoritário do poder em França” explicando que os defensores das liberdades públicas estão preocupados com a lei sobre a segurança global e com as limitações à liberdade de informar com o artigo 24.>O Courrier International faz manchete com o que chama de “viragem securitária à direita” de Emmanuel Macron. A revista questiona o que é que aconteceu ao Presidente francês que era um reformador liberal e que tanto prometia? Na segurança, na  gestão da pandemia, no islamismo e até na diplomacia a imagem de Macron desfocou-se. A imprensa internacional também ficou chocada com “a violência inadmissível” da polícia contra um produtor musical negro.>O Courier retoma um artigo do jornal do Burkina Faso Le Jour sobre a Etiópia intitulado “Depois da guerra, o espectro da guerrilha”. O jornal escreve que após ter lançado o assalto final contra a capital do Tigré, as autoridades anunciaram ter ganho a batalha. Mas a guerra está longe de terminada. A revista publica ainda uma vasta investigação sobre “o recuo da justiça no mundo”, dando exemplos de dissidentes perseguidos ou assassinados na Argélia, no Burundi e na África do Sul, entre muitos outros países.>A Obs também tem uma chamada de capa para as violências policiais em França. Nas páginas interiores, imagens da mega manifestação contra o projecto de lei sobre a segurança global e contra o polémico artigo 24 que impede de se filmar a polícia, um parágrafo que, segundo a revista, provocou uma crise política.>A Obs destaca ainda o papel de contra-poder dos repórteres da Web que publicam imagens das violências policiais na internet e são vistos por milhares de pessoas. Mas a revista faz capa com Anne Hidalgo, presidente da câmara de Paris, com o título “ a tentação presidencial”. A Obs escreve que Anne Hidalgo está dividida entre manter-se na presidência de Paris ou tentar a Presidência de França face às expectativas dos eleitores de esquerda.>A revista publica, ainda, uma reportagem sobre a revolta das mulheres das limpezas da Assembleia francesa que ganham muito mal e pedem o direito a um 13° mês. Entre as vozes, destaque para a cabo-verdiana Joana, para a portuguesa Manuela e para outras “mulheres invisíveis” há anos a trabalharem no Parlamento francês.>Le Point homenageia, na capa, o antigo presidente francês Valéry Giscard d’Estaing que morreu esta semana e titula “um destino, uma época, lições para a história”. A revista descreve que Giscard d’Estaing reformou a sociedade francesa e trabalhou para a construção europeia. Um longo dossier que retoma fotografias dele com personalidades marcantes, como Simone Veil, a Princesa Diana e o antigo Presidente da RCA Jean-Bedel Bokassa que remete para o famoso caso dos diamantes que dele recebeu e que marcou o início da queda daquele que também era conhecido como “Giscard, o Africano” e como “o polícia do continente africano”. RFI »