• Cartazes e cânticos de centenas de jovens marcam cortejo fúnebre de Inocêncio

    28 Novembro 2020 >Centenas de jovens juntaram-se esta manhã para prestar uma última homenagem a Inocêncio de Matos, que morreu durante a manifestação de 11 de Novembro. >Cartazes, palavras, cânticos e flores marcaram o cortejo fúnebre de Inocêncio de Matos. Durante 12 quilómetros, familiares e amigos pediram justiça pela morte de "Beto", como era tratado pelas pessoas mais próximas.>O cortejo fúnebre de partiu do bairro São Pedro da Barra, Distrito do Sambizanga em direcção ao cemitério do Catorze.>"Saímos cerca de trezentas pessoas da porta de casa de Inocêncio e chegamos mais de 1.000 ao cemitério. Hoje ficou provado que marchas com 1.000 pessoas na rua, sem intervenção da polícia, podem correr em paz e as podem reivindicações ouvidas", garante a activista Laura Macedo.>O cortejo fúnebre juntou perto de 1.000 pessoas, numa manifestação que exigiu justificações e justiça pela morte de Inocêncio. "O que aconteceu hoje, quer queiram ou não, chama-se manifestação.. não houve intervenção das autoridades", descreveu Laura Macedo.>"Inocêncio, descansa, a luta continua", "o povo não tem medo" ou "MPLA é que o matou", gritavam os manifestantes a caminho do cemitério da Mulemba, no município do Cazenga, em Luanda.>"Quando chegou altura de pôr o caixão no carro, seis jovens ofereceram-se e rumaram para a estrada com o caixão, ignorando o carro fúnebre. Todos se juntaram, inclusive os familiares fizeram este percurso connosco. Não houve nenhum percalço, ninguém foi incomodado. Ocupámos uma das faixas de rodagem, o trânsito parou, mas ninguém reclamou. Os poucos elementos infiltrados, que a polícia lá pôs, não tiveram como provocar arruaças", descreve.>Embora as causas da morte ainda não tenham sido divulgas oficialmente, a segunda autópsia foi realizada na quinta-feira, 26 de Novembro, a pedido da família a advogados.>"Para quem luta por uma Angola melhor, por uma Angola mais equilibrada e por uma distribuição de riqueza para todos, esta morte marca uma viragem e dá-nos mais vontade de lutar. Eu sei que, com a minha idade, já não posso ter grandes aspirações, mas quero que os meus netos e bisnetos tenham uma Angola saudável e que não tenham, como eu , que conviver com a indigência todos os dias. A indigência em Angola tem que acabar e a justiça tem sempre que prevalecer", concluiu.> > >  RFI »

  • Líder estudantil angolano: "a conversa com o Presidente não me retira o direito de manifestar"

    27 Novembro 2020 >Na passada quinta-feira, o presidente angolano manteve um encontro com os vários quadrantes da juventude angolana no intuito de ouvir as suas reivindicações, numa altura em que muitos jovens ligados a sindicatos, partidos políticos ou de movimentos da sociedade civil têm descido à rua para chamar a atenção do executivo sobre a luta contra a pobreza e a corrupção bem como a necessidade de mais investimento na saúde e na educação, durante manifestações que em alguns casos foram marcadas por uma severa repressão policial. >Um jovem manifestante, Inocêncio de Matos, morreu em circunstâncias por determinar na sequência da marcha organizada no passado dia 11 de Novembro, dia da independência.>Foi por conseguinte num contexto de dor que foi organizado o encontro entre o Presidente e a juventude do seu país. Nem todos os convidados compareceram por desconfiar da real vontade de diálogo das autoridades, este encontro tendo sido qualificado de "operação de charme".>Francisco Teixeira, presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos que participou em algumas das recentes manifestações, deslocou-se ao encontro organizado pela presidência. Levou as suas reivindicações, teceu um alerta sobre a situação da educação no seu país e vincou que "a conversa com o Presidente não lhe retira o direito de manifestar".>  RFI »

  • Angola: decorreu a segunda autópsia ao corpo do jovem Inocêncio de Matos

    26 Novembro 2020 >Conforme anunciado ontem, decorreu esta quinta-feira a segunda autópsia ao corpo de Inocêncio de Matos, jovem estudante que morreu na sequência de uma manifestação contra a pobreza e a corrupção em Luanda no dia 11 de Novembro, severamente reprimida pelas forças da ordem. >Depois de terem sido ultrapassados “os obstáculos”, anteriormente impostos, o advogado da família do jovem, Zola Bambi, confirma à RFI que a autópsia decorreu na presença, tal como tinha sido reclamado, "dos membros da família, do fotógrafo que desejavam, técnicos assim como o médico indicado pela família.">Ao dar conta das primeiras observações resultantes desta autópsia na qual esteve também presente, Zola Bambi refere que "o certo é que há orifícios no crânio e determina-se uma morte violenta". O advogado que diz agora pretender "aguardar pelo relatório para melhor se pronunciar", indica ainda que se esperam os resultados "o mais urgente possível", sem todavia mencionar prazos.>Questionado sobre a sua intenção, já anteriormente anunciada, de levar o caso à justiça, Zola Bambi confirma que "se vai realizar, tendo em conta que se trata de um homicídio. Não importam as circunstâncias, é um homicídio, há uma morte", insiste. "Agora vamos esperar que as coisas avancem para podermos melhor trabalhar, mas adiantamos de princípio que o que estava previsto e o que está preparado é (uma acção) contra a Polícia Nacional e o Estado Angolano", acrescenta ainda o advogado.>Inocêncio de Matos, jovem estudante de 26 anos, morreu no passado dia 11 de Novembro, dia em que se assinalou o 45° aniversário da independência de Angola e em que centenas de jovens desceram às ruas de Luanda para exigir medidas mais contundentes na luta contra a corrupção e a pobreza.>Durante esta manifestação marcada por violências e uma severa repressão policial, Alfredo de Matos, pai do estudante, alega que Inocêncio de Matos foi morto pela polícia em circunstâncias “particularmente brutais”. Afirmações que se baseiam em testemunhos segundo os quais Inocêncio de Matos morreu no local após ter sido alvejado pela polícia.>Contudo, de acordo com informações fornecidas pelo hospital Américo Boavida em Luanda onde o jovem deu entrada, ele teria sido atingido na cabeça com um objecto contundente, chegou ainda com vida nessa unidade de saúde foi e submetido a uma intervenção cirúrgica, acabando por falecer dos seus ferimentos no hospital.>Perante esta versão dos acontecimentos que não convenceram os familiares do jovem, foi pedida uma segunda perícia. Depois de ter sido agendada para a passada sexta-feira, a organização da nova autópsia teve de ser adiada nomeadamente por não ter sido, na altura, autorizada a presença de um fotógrafo conforme reclamavam os próximos de Inocêncio de Matos. Uma situação que acabou por ser desbloqueada, permitindo a realização hoje da perícia, à qual se devia seguir uma vigília na casa onde o jovem residia, antes do seu funeral, previsto em princípio esta Sexta-feira.>  RFI »

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